sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Geografia Bíblica

CTIEJN
Curso de Teologia da Igreja Evangélica Jesus para as Nações
Nível Básico


Apostila de Geografia Bíblica
2014

Professora: Adriana Röhrig




Sumário

INTRODUÇÃO 
O QUE É A GEOGRAFIA? 
ALVOS DA GEOGRAFIA BÍBLICA 
UNIDADE 1  O mundo do Antigo Testamento 
1.1         O Universo e o Criador 
1.2         As Primeiras Civilizações - O  Crescente Fértil e seus impérios 

UNIDADE 2 – Canaã -  solo sagrado, do qual mana leite e mel 
2.1 Israel: O solo sagrado por excelência  
2.2 Habitantes de Canaã 
2.3 O cisma israelita – Israel e Judá 
2.4 Cativeiro e Restauração

UNIDADE 3 – Geografia Física – Canaã: entre montanhas e vales 
3.1 Planícies 
3.2 Vales 
3.3 Planaltos 
3.4 Montes 
3.5 Desertos 
3.6 Hidrografia 
3.7 Clima 
38 Cidades e Estradas 

UNIDADE 4 – Geografia  Humana de Israel
4.1 Família hebraica 
4.2 Vida social 
4.3 Moradia 
4.4 Mobília
4.5 Alimentação 
4.6 Indumentária
4.7 Calendário 

Obras Consultadas




INTRODUÇÃO

O QUE É A GEOGRAFIA?
Segundo a etimologia da palavra, "geo" terra; "graphein" descrever, a Geografia limitou-se, durante séculos, a descrever a Terra. Entretanto, a partir do Século XIX, assumiu um caráter científico, não mais se limitou à descrição; passou, também, a explicar os fatos. As definições variam de autor para autor. Para o alemão Alfred Hettner, Geografia é o ramo de estudos da diferenciação regional da superfície da Terra e das causas dessa diferenciação. Richard Hartshorne declara ser o objetivo da Geografia "proporcionar a descrição e a interpretação, de maneira precisa, ordenada e racional, do caráter variável da superfície da Terra" e dos fenômenos que nela ocorrem, bem como a influência na vida de todos os seres.
ALVOS DA GEOGRAFIA BÍBLICA
Estudar geografia da Bíblia significa, de acordo com Tognini (2009), viver as páginas já vivas do Livro Santo. Entrar em comunhão com o Éden de Deus, com seus rios Tigre e Eufrates, Giom e Pisom.   Acompanhar o desenrolar do dilúvio, quando Deus derramou juízo do céu sobre uma humanidade rebelde e desobediente.  Imitar Sem, Cam e Jafé no repovoamento da Terra.  Acompanhar de perto a linha semítica de Terá, Abraão e toda a família do primeiro filho de Noé.  Estar com as sete nações cananeias.  Assistir ao surto de progresso que viveu o Egito.  Sofrer com os descendentes de Jacó na terra de Cam.  Levantar-se com Moisés, retirando Israel do cativeiro egípcio e acompanhá-lo na milagrosa passagem do mar Vermelho, depois da peregrinação do penoso deserto, na entrada e posse de Canaã.   Lutar ao lado dos juízes, mensageiros de Deus.  Estar com Saul e com Davi, com Salomão e Roboão e todos os reis de Judá e de Israel.  Arrastar-se com o povo de Deus caminhando para o cativeiro na Assíria e na Babilônia.  Voltar com Esdras, Neemias e Zorobabel para a reconstrução de Jerusalém.  Viver com João Batista no deserto e com o Senhor Jesus nas poentas estradas da Palestina, ao longo das praias do mar de Galileia, nos desertos e nos montes, no Getsêmani e no Calvário, no sepulcro de Arimateia, na ascensão do Olival.  Participar do poderoso Pentecostes. Sofrer com os apóstolos que deram testemunho da ressurreição do Senhor, nas prisões, nos açoites, no martírio.  Assistir à dispersão dos servos de Jesus, que começou com a perseguição de Paulo.  Ver surgir a poderosa igreja de Antioquia da Síria.  Entrar na companhia de Paulo para desfraldar o glorioso pavilhão de Cristo em dois continentes e depois permanecer com ele dois anos no cárcere em Cesaréia, acompanhá-lo até Roma e depois assistir ao seu martírio e ao de centenas de outros soldados da cruz. Por último, assistir ao crepúsculo de tudo com João em Patmos, aguardando o raiar glorioso do dia em que Jesus será chamado Rei dos reis e Senhor dos senhores.
Embora a presente apostila, por corresponder ao nível básico, não se debruce sobre todos os pontos destacados por Tognini (2009), acima citados, acreditamos que as questões aqui levantadas, acompanhadas do estudo efetivo do texto bíblico, resultarão em experiências como as apontadas por este autor. Além disso, o conhecimento construído a partir deste material facilitará a localização e a compreensão de grande parte das verdades narradas e descritas na Palavra de Deus.
Concordamos com Andrade (1987) sobre o objetivo da Geografia Bíblica. Este teólogo entende que a Geografia Bíblica tem por objetivo o conhecimento das diferentes áreas da Terra relacionadas com as Sagradas Escrituras. Descrevendo e delimitando os relatos sagrados, dá-lhes mais consistência e autenticidade e auxilia-nos na interpretação e compreensão dos fatos bíblicos. A Geografia Bíblica, definida por Mackee Adams como o "painel bíblico em que o Reino de Deus teve o seu início e onde experimentou seus triunfos" é indispensável a todos os estudiosos da Bíblia.


UNIDADE 1    O mundo do Antigo Testamento

1.1          O Universo e o Criador
Andrade (1987) defende que o Universo funciona com uma perfeição assustadora. Milênio após milênio, astros e estrelas descrevem suas órbitas com absoluta exatidão. Essa maravilha leva-nos a concluir que  há um Deus no Céu, a comandar e a preservar o Cosmo. Até Isaac Newton, grande físico, reconhece que: "Esse Ser governa todas as coisas, não como a alma do mundo, mas como o Senhor de tudo; e, por causa de seu domínio, costuma-se chamá-lo de Senhor, ou, Soberano Universal”.
Os gregos já acreditavam estar a soberania do Universo dividida entre vários deuses, sendo Zeus o principal deles. O apóstolo Paulo, todavia, ao visitar Atenas, afirmou-lhes: "...sendo [Deus| Senhor do céu e da terra ..." (At 17.24b). Em outras palavras,  "Há um só Deus que sobre todos domina, porque tudo dele provém". Quanto a nós, falíveis seres humanos, devemos dirigir-nos a Deus: "...teu é o reino, o poder e a glória, para sempre. Amém."
Ainda de acordo com Andrade (1987), os gregos, apesar do seu espírito curioso e apego ao saber, só descobririam as verdades reveladas no Antigo Testamento sobre a esfericidade e ao movimento da Terra, séculos mais tarde. Conhecido como o "pai da ciência", Tales de Mileto, que viveu um século após Isaías, desconhecia a forma da Terra. Ele a imaginava com o formato de um pires. Anaxágoras, da mesma época de Tales, ensinava que a Terra tinha forma cilíndrica e que se mantinha centrada no espaço, em virtude da pressão atmosférica. Insuperável em seus conhecimentos, Pitágoras, depois da Bíblia, foi o primeiro a declarar ser a Terra uma esfera em constante movimento. Seus postulados só seriam ultrapassados por Copérnico, nascido quase dois milênios após sua morte.
Mas a forma da Terra é, realmente, esférica? Responde-nos a Bíblia, por intermédio do profeta Isaías: "Ele |Deus| é o que está assentado sobre o globo da Terra, cujos moradores são para ele como gafanhotos: ele é o que estende os céus como tenda para neles habitar..." (Is 40.22.) Essa verdade foi dita no Século VIII a.C e continua atual. Cremos que esta é incontestável pelo simples fato de ser dita por um homem inspirado por Deus, o profeta Isaías.

1.2         As Primeiras Civilizações -  O  Crescente Fértil e seus Impérios

O Crescente Fértil, apesar de sua grande importância à História da Salvação, é um pequeno retângulo localizado na Ásia Ocidental. Encerrando uma área de 2.184.000 km, representa apenas a 234ª parte da superfície da Terra. Essa região estende-se em forma semicircular entre o Golfo Pérsico e o Sul da Palestina. A história dessa região fala de uma série de lutas entre os habitantes do lugar e as tribos nômades do deserto. Todos queriam apossar-se dessas fertilíssimas terras. O lado oriental dessas paragens serviu de berço à humanidade e de cenário à primeira civilização. Em suas grandes depressões, ascenderam e caíram os impérios dos amorreus, assírios, caldeus e persas. No Crescente Fértil, conhecido, também, como Mesopotâmia (literalmente "entre rios"), floresceram duas grandes civilizações: ao norte, a Assíria; ao Sul, a Babilônia. Os rios Tigre e Eufrates cercam esse misterioso território, ocupado, atualmente, pelo Iraque. O Jardim do Éden, segundo a narrativa bíblica, localizava-se nas nascentes de ambos os rios. Foi em Ur dos Caldeus, uma das mais progressistas e desenvolvidas cidades do Crescente Fértil, que teve início a história de Israel. Tudo começou com a chamada de Abraão, o pai do povo escolhido. 



a) Egito
O Egito é uma das mais antigas civilizações humanas. Sua história é quase tão antiga como o próprio homem. Por isso, o Vale do Nilo é considerado o berço da humanidade. Mas as Sagradas Escrituras apontam a Mesopotâmia como o primeiro lar de nossos primeiros pais. A presença do Egito nas Escrituras Sagradas é muito forte. Por esse motivo, precisamos conhecer melhor esse país. O povo egípcio foi agrupando-se com o passar dos séculos, até formarem dois grandes reinos: o Alto Egito, no Sul; e, o Baixo Egito, no Norte. Em consequência de suas muitas diferenças, o Alto e o Baixo Egito travaram violentas e desgastantes guerras por um longo período. Isso enfraquecia ambos os reinos, tornando-os vulneráveis a ataques externos. Por isso, Menés, rei do Alto Egito, conquista o Baixo Egito. A unificação do Egito ocorreu, de acordo com cálculos aproximados, entre 3.000 a 2.780 a.C. Nesta mesma época, os egípcios começaram a fazer uso da escrita e de um calendário de 365 dias. Unificados, o Alto e Baixo Egito transformaram-se no mais florescente e poderoso império da antiguidade. Os reis iniciaram a construção das grandes pirâmides, que lhes serviu de tumba.
Foi durante o chamado Novo Império (1580-1200 a.C), que os israelitas começaram a ser escravizados pelos faraós. Após o Novo Império, o Egito começou a sofrer sucessivas intervenções: líbia, etíope, indo-européia, assíria, persa, grega e romana. Em linhas gerais, essa nação, cujo passado foi tão glorioso, pertenceu ao Império Romano, durante 400 anos; ao Império Bizantino, durante 300 anos. No Século VII d.C, fica sob a tutela dos muçulmanos. A partir de 1400, torna-se possessão turca. No Século XIX, fica sob a custódia franco-inglesa. No início do Século XX torna-se protetorado inglês. Em 1922, todavia, conquista sua independência. Hoje, porém, não passa de um apagado reflexo de sua primeira glória. 
O Egito atual tem o formato de um quadrado. Localizado no Nordeste da África, limita-se ao norte, com o mar Mediterrâneo; a leste, com Israel (e, também, com o mar Vermelho); ao sul, com o Sudão; a oeste, com a Líbia. De sua área, de quase um milhão de quilômetros quadrados, 96 por cento são compostos de terras áridas. Sua população, de 45 milhões de habitantes, é obrigada a viver com os 4 por cento de terras cultiváveis. Localizava-se o Alto Egito no Sul do atual território egípcio. O Baixo Egito, por sua vez, localizava-se no Norte e sua área mais fértil encontra-se no Delta.
 O Egito, no entanto, não existiria sem o Nilo. Esse rio é o mais extenso do mundo, com um percurso de 6.400 km com suas vazantes, fertiliza vastas extensões de terra. Em seu livro Geografia das Terras Bíblicas, afirma o pastor Enéas Tognini: "Sem o Nilo, o Egito seria um Saara - terrível e inabitado. O Nilo proporcionou riquezas aos faraós que puderam viver abundantemente, construindo templos suntuosos, monumentos grandiosos, palácios de alto luxo, pirâmides gigantescas e a manutenção de exércitos bem armados que, não somente protegiam o Egito, mas tomavam, nas guerras novas regiões. O Nilo lhes garantia a irrigação e as suas águas lhes davam colheitas fartas e certas. É fato que uma seca poderia trazer pobreza à terra, como aconteceu no tempo de José. Se a cheia fosse além dos limites, as águas poderiam arrasar cidades, deixando o povo desabrigado e prejudicariam as safras. Mas, tanto secas como enchentes eram raras. O Nilo era então, como é hoje, a vida do Egito e o principal fator de suas múltiplas organizações, simples algumas e sofisticadas e complexas outras". 

O EGITO E OS FILHOS DE ISRAEL
O relacionamento de Israel com o Egito começou à Era Patriarcal. Abraão e Isaque desceram à terra dos faraós, onde sofreram sérios constrangimentos. O primeiro e maior patriarca hebreu, por exemplo, esteve prestes a perder a esposa, cuja beleza agradou o rei daquela nação. Não fosse a intervenção divina Sara não seria contada entre as ilustres mães do povo israelita. Em sua velhice, Abraão recebe esta sombria revelação do Senhor: "Saibas, de certo, que peregrina será a tua semente em terra que não é sua, e servi-los-ão; e afligi-los-ão quatrocentos anos; mas também eu julgarei a gente, a qual servirão, e depois sairão com grande fazenda. E tu irás a teus pais em paz; em boa velhice serás sepultado. " (Gn 15.13-16). 

Personalidades israelitas no Egito

1 - José, primeiro-ministro do Egito

Estêvão, sábio diácono da igreja primitiva, conta-nos como José chegou a primeiro- ministro do Faraó: "E os patriarcas, movidos de inveja, venderam a José para o Egito. mas, Deus era com ele. E livrou-o de todas as suas tributações, e lhe deu graça e sabedoria ante Faraó, rei do Egito, que o constituiu governador sobre o Egito e toda a sua casa. Sobreveio então a todo o país do Egito e de Canaã fome e grande tributação; e nossos pais não achavam alimentos. Mas, tendo ouvido Jacó que no Egito havia trigo, enviou ali nossos pais, a primeira vez. E, na segunda vez foi José conhecido por seus irmãos, e a sua linhagem foi manifesta a Faraó. E José mandou chamar a seu pai Jacó e a toda sua parentela, que era de setenta e cinco almas" (At 7.9-14). Não obstante sua humilde condição de escravo, José tornou-se primeiro-ministro do Faraó. E, por seu intermédio, Deus salvou toda a descendência de Israel. Não fosse o providencial ministério exercido por esse intrépido hebreu, a progênie abraâmica ver-se-ia em grandes dificuldades. Sua história é uma das obras-primas da humanidade. José chegou ao Egito no Século XX a.C.

2       - Moisés

Continua Estêvão a contar a história dos israelitas no Egito: Aproximando-se, porém, o tempo da promessa que Deus tinha feito a Abraão, o povo cresceu e se multiplicou no Egito; até que se levantou outro rei, que não conhecia a José. Esse maltratou nossos pais, a ponto de matar as suas crianças, para que não se multiplicassem. Nesse tempo, nasceu Moisés, e era mui formoso, e foi criado três meses em casa de seu pai. E, sendo enjeitado, tomou-o a filha de Faraó, e o criou como seu filho. E Moisés foi instruído em toda a ciência dos egípcios; e era poderoso em suas palavras e obras. "E, quando completou a idade de quarenta anos, veio-lhe ao coração ir visitar seus irmãos, os filhos de Israel. E, vendo maltratado um deles, o defendeu, e vingou o ofendido, matando o egípcio, tendo que fugir ao deserto.
Anos depois Moisés conduziu o povo de Israel para fora, fazendo prodígios e sinais na terra do Egito, e no mar Vermelho, e no deserto, por quarenta anos. Israel deixou o Egito no Século XV a.C. Depois do Êxodo, israelitas e egípcios voltariam a se enfrentar no tempo dos reis e no chamado período interbíblico.

b) Assíria
Os assírios diziam descender de Assur, filho de Sem e neto de Noé (Gn 10.11). O território assírio, no princípio, era inexpressivo. Perdia-se entre as grandes possessões dos países circundantes. Com o passar dos séculos, foi se estendendo e abarcando muitas nações vizinhas, transformando-se em um grande império. As fronteiras assírias, porém, nunca foram definidas. Variavam de conformidade com as vitórias ou derrotas dos soberanos de Assur.
Durante muitos séculos, Nínive manteve-se inexpressiva no cenário assírio. Em 2.350 a.C, contudo,  transformou-se na capital da Assíria. A partir de então, a cidade tornou-se participante das glórias e derrotas da Assíria. Nínive é a própria história do Império Assírio.
Em 616 a.C, Nabopolassar, governador de Babilônia, subleva-se e declara a independência dos territórios sob sua jurisdição. Decidido a arrasar com o já minado poderio assírio, alia-se ao rei medo Ciaxares. Este, em 614 a.C, conquista e destrói totalmente Nínive. Com a queda de Nínive, desaparece a glória da Assíria.  Antes, porém, em 723 a.C. a Assíria destrói Israel e deporta as dez tribos que o compunham. Desaparece o Reino do Norte, fundado por Jeroboão, depois de uma atribulada existência de dois séculos.   
Esta era a política assíria; visava do extermínio moral das nações conquistadas. Povo cruel, os assírios esfolavam vivos seus prisioneiros: cortavam-lhes as mãos, os pés, o nariz e as orelhas; vazavam-lhes os olhos; arrancavam-lhes as línguas, entre outras atrocidades.

c) Babilônia 
Babilônia, nas Sagradas Escrituras, é sinônimo de poder e glória. A história desse império, simbolizado pelo ouro, é antiquíssima, a data de sua fundação é incerta, mas trata-se de uma das primeiras civilizações da Terra. As crônicas babilônicas estão intimamente associadas com as da Mesopotâmia - berço da raça humana. Como não associar, também, a história babilônica à hebraica? Séculos de convívio, nem sempre de guerra, ligam ambos os povos.
Babilônia foi sitiada vezes sem conta. É difícil calcular, também, quantas vezes seus muros e templos foram arrasados. Ávidos inimigos despojavam-na, com frequência, de seus fabulosos tesouros. Seus orgulhosos habitantes sofreram os mais inumanos ataques. Essa opulentíssima cidade, todavia, levantava-se com mais brilho e pujança até tornar-se, no tempo de Nabucodonozor, em uma das maravilhas do mundo. Durante séculos, Babilônia permaneceu sob a tutela assíria. O governador da Caldéia, Nabopolassar, levanta-se, porém, contra a hegemonia de Nínive. Auxiliado pelos medos, sacode de si o jugo assírio. Em 622 a.C, ele é proclamado rei, em Babilônia. Tem início, dessa forma, uma nova dinastia na Mesopotâmia.

BABILÔNIA E O POVO DE JUDÁ
Deus, sem dúvida alguma, permitiu a ascensão de Babilônia para punir a impenitência das nações do Médio Oriente. Nem mesmo Judá escaparia da ação judicial do Eterno. A tribo do rei Davi, que se convertera no Reino do Sul, em virtude do cisma israelita ocorrido em 931 a.C, perverteu a aliança mosaica. A maioria dos soberanos judeus adorou e permitiu a adoração de falsos deuses, induzindo o povo à apostasia. O Senhor Deus, por isso, resolveu puni-los. Quem seria o instrumento de sua justiça? Respondem os profetas: Babilônia. Entre os exilados, encontram-se, Daniel, Sadraque, Mesaque e Abednego.
Durante a dominação babilônica, os judeus não gozavam de muitas vantagens. Com muito custo e, enfrentando grandes dificuldades, conseguiram manter sua religião e suas tradições nacionais. Em seus 70 anos de exílio, os filhos de Abraão foram provados, aliás, dura e inumanamente. Reconheceram, entretanto, quão amargos frutos colhiam em consequência de sua idolatria e que não existe outro Deus, além do Santo de Israel.
Entretanto, o Império Babilônico, fundado por Nabopolassar, não teve uma vida bastante longa. Em menos de um século, já emitia sinais de fraqueza e degenerescência. Enquanto isso, a coligação medo-persa fortalecia-se continuamente e se preparava para conquistar a Babilônia. Em 538 a.C, quando Belsazar participava, juntamente com seus altos oficiais e suas prostitutas, de uma desenfreada orgia, os exércitos medo-persas tomaram Babilônia. Naquela mesma noite, a propósito, o Todo- poderoso revelara, por intermédio de Daniel, quão horrível seria o fim do domínio babilônico. Dario, um dos mais destemidos e proeminentes generais de Ciro II, tomou Babilônia e matou o libertino Belsazar. Tinha início, assim, o Império Medo-persa.     

d) O Império Persa 
Com a destruição do Império Babilônico surge uma nova superpotência no Médio Oriente. A coligação medo-persa transforma-se, rapidamente, em um vastíssimo reino. No tempo de Assuero, por exemplo, a Pérsia dominava sobre 127 províncias, da índia à Etiópia. Jamais surgira reino de tão dilatadas possessões! Durante o Império Persa, os judeus foram tratados com longanimidade e condescendência. Permitiam-lhes, por exemplo, as manifestações de sua religiosidade e tradições nacionais. Nesse período, obtêm também a permissão para voltar à Terra de Israel e reconstruir o santo Templo e suas casas.
O Senhor usa o rei Ciro para autorizar-lhes o regresso a Sião. No primeiro ano de reinado desse ilustre soberano, os filhos de Judá são liberados a retornar à terra de seus antepassados. A frente dos repatriados, ia o governador Zorobabel que, nos anos subsequentes, seria o principal baluarte da reconstrução do Estado Judaico. Não fosse a liberalidade de Ciro, tratado por Deus como "meu servo", os judeus não teriam condições de se dedicarem a cumprir tão formidável tarefa. Sob a vista dos sucessores do fundador do Império Persa, os muros e o Templo de Jerusalém foram reconstruídos em tempo recorde. Zorobabel, Neemias, Esdras e o sumo sacerdote Josué, contaram com o respaldo da monarquia persa, no santo cumprimento de seus deveres. Ciro mostrou-se tão liberal que, inclusive, devolveu aos líderes judaicos parte dos tesouros do Templo levados a Babilônia por Nabucodonosor. Atrás da generosidade persa, contudo, estava a potente mão de Deus! 
No tempo da rainha Ester, mulher do poderoso Assuero, vemos, uma vez mais, o Senhor usar o poderio persa em favor de seu povo. Não obstante as maquinações de Hamã, o Deus de Abraão, Isaque e Jacó forçou o soberano persa a ver com simpatia a causa dos exilados judeus. For intermédio da belíssima prima de Mardoqueu, o Todo-poderoso intervém em favor da nação judaica e concede-lhe grande livramento. O ministério de Ester é tão glorioso que, ao interceder, junto ao seu esposo, pela vida de seu povo, estava preservando, indiretamente, a existência do Salvador.

e) O Império Grego 
O Império Persa resplandecia no Oriente. No Ocidente, enquanto isso, a Grécia começa a desenvolver-se e a tornar mais marcante a sua presença entre as nações. Delineava-se, dessa maneira, o fim do imperialismo persa. Quão exatas mostravam-se as profecias de Daniel! Segundo ele predissera, a Grécia substituiria a Pérsia no comando político daquela época.
A Grécia é o berço da civilização ocidental. Dos gregos, herdamos a democracia, a concepção clássica das artes e, principalmente, a filosofia. A antiga Grécia continua a nos influenciar. Não fossem os helenos não haveria a tradicional divisão do mundo entre Ocidente e Oriente. Amantes da liberdade e acostumados às discussões ao ar livre, os gregos legaram-nos um inestimável tesouro - as bases de nossa civilização.
A Grécia Antiga estava dividida em cidades-estados. Além de Esparta e Atenas, Tebas, Creta e Troia também foram importantes cidades-Estados (ou pólis gregas), porém se destacaram mais nas relações comerciais. Os gregos também são chamados de Helenos pelo fato de, na Antiguidade, a Grécia ser conhecida como Hélade. Sem coesão político-administrativa, esses pequenos países estavam em constantes alterações.  Esparta e Atenas estavam sempre em conflito. Os gregos eram unidos somente por laços culturais e religiosos. Quando o perigo os ameaçava, firmavam, porém, alianças provisórias. O Século V a.C, marca o auge da Grécia.



GEOGRAFIA DA GRÉCIA
 A Grécia constitui-se, praticamente, de uma península localizada no Sudeste da Europa. Esse maravilhoso país é banhado por três mares: a leste, pelo Egeu; ao sul, pelo Mediterrâneo; e a oeste pelo Jônico. A Macedônia ficava ao norte. Nos primórdios, o território grego era conhecido como Acaia e limitava-se, ao sul da península. A região ocupada por Atenas, nessa mesma época, era denominada de Ática. Toda recortada pelo mar, a Grécia é cercada por muitas ilhas e ilhotas, numerosas montanhas e abruptos declives. A hidrografia grega é paupérrima. Por causa disso, eles fundaram colônias nas ilhas do mar Egeu, do mar Mediterrâneo e do mar Negro. Instalaram-se, ainda, na Ásia Menor, no Sul da Itália, no Norte da África e até em Massília, território ocupado, hoje, pela França. A partir do Século IV a.C. a história da Grécia entrelaça-se à da Macedônia. É bom conhecermos, por conseguinte, algumas particularidades geográficas desse país que, sob a roupagem helena, quase conquistou a Terra. A Macedônia limitava-se, ao sul com a Grécia; ao leste, com o mar Egeu e com a Trácia; ao norte, com os montes balcânicos; e, a oeste, com a Trácia e o Ilíaco.

FIM DO IMPÉRIO GREGO
Esfacelado e arruinado por disputas intestinas, chegou ao fim o glorioso Império Grego. Em seu lugar, levanta-se o terrível e assombroso animal, visto por Daniel séculos antes. O Império Romano, de acordo com a visão do santo profeta, seria diferente de todos os outros - conquistaria, esmagaria. Qual desamparada virgem, a nação de Israel sentiria, também, quão férreas e afiadas são as garras de Roma.     
MACEDÔNIA
Limitando-se ao sul com a Grécia, a Macedônia estava destinada a dominá-la e a encabeçar o domínio heleno do mundo. Seus habitantes, à semelhança dos gregos, eram de origem indo-européia. A cultura macedônia, contudo, é considerada bem inferior à grega. Nesse país, cuja área é ocupada hoje pela Iugoslávia, nasceu Felipe II.
Seu filho, Alexandre Magno, capturado por um bando de gregos, em meados do Século Quarto a.C, e é levado a Tebas, onde domina as artes bélicas da Grécia. Em seu exílio, elabora audaciosos planos: modernizar os exércitos da Macedônia e unir todos os helenos sob o seu comando. Eis sua grande obsessão: subjugar o Império Persa.
"Um dos maiores gênios militares de todos os tempos". Assim é descrito Alexandre Magno. Nascido em 356 a.C, teve uma primorosa educação. Seu preceptor foi, nada mais nada menos, que Aristóteles. Aos pés do mais exato dos filósofos gregos, o príncipe macedônio universaliza-se. Com o alargamento de sua visão do mundo, passa a contemplar a humanidade como uma só família. Como, porém, concretizar esse ideal? Conquistador inato e guerreiro audaz, declara sua intenção: conquistar a Terra. Não obstante seus 20 anos, reafirma sua autoridade sobre os gregos e, à testa de um exército de 40 mil homens, marcha em direção aos persas. Com fúria sobre-humana, derrota Dario Codomano, que possuía uma descomunal guarnição de mais de 800 mil homens. Após destruir o poderio persa, Alexandre Magno prossegue, conquistando terras e mais terras no Oriente.. Alexandre Magno, ao chegar a Babilônia, é recebido como um ente celestial. Tributam-lhe divinas honrarias. Para os pobres mortais, não havia ser tão glorioso como o príncipe macedônio.
Uma das maiores realizações de Alexandre Magno foi a difusão universal da cultura grega. Esse magnífico empreendimento cultural facilitaria, mais tarde, a propagação global do Evangelho. O apóstolo Paulo, por exemplo, em suas viagens missionárias, não encontrou quaisquer dificuldades em se comunicar com os gentios, em virtude da internacionalização do koinê - grego vulgar. O historiador Robert Nichols Hasting afirma que os helenos deram substancial contribuição ao plano de salvação de Deus. 

Atualmente, o território macedônio é ocupado pela Grécia, Iugoslávia, Bulgária, Albânia e a parte europeia da Turquia. O país de Alexandre Magno era uma vastíssima planície fértil, cercada de altas montanhas. Na Macedônia, ficava a cidade de Filipos, onde o Evangelho, através de Paulo, foi pregado, pela primeira vez, em território europeu. Dessa região estratégica, a Palavra de Deus estendeu-se por toda a Europa, alcançando milhões de almas. O território macedônio, portanto, serviu de importantíssima base missionária para o apóstolo dos gentios coroar de êxitos a sua carreira cristã. Alexandre Magno, lançou-se da Macedônia para conquistar o mundo. Do mesmo lugar, o apóstolo Paulo lançou-se à Europa para ganhar o mundo, mas, para Cristo. As glórias do príncipe macedônio, entretanto, feneceram. - E, as glórias do Evangelho? - Continuam a brilhar! 

f) O Império Romano 
Simbolizado pelo ferro, o Império Romano conquistou e subjugou muitos povos. Do Ocidente ao Oriente, o peso de seus punhos era conhecido e proverbial. Jamais houvera reino tão poderoso! A simples menção de seu nome era mais do que suficiente para amedrontar povos, derrubar reis e dilatar fronteiras. Eis como Daniel viu esse férreo império: "Depois disto, eu continuava olhando nas visões da noite, e eis aqui o quarto animal, terrível,, espantoso e sobremodo forte, o qual tinha grandes dentes de ferro; ele devorava e fazia em pedaços, e pisava aos pés o que sobejava; era diferente de todos os animais que apareceram antes dele, e tinha dez chifres" (Dn 7.7). As histórias de Roma e Israel estreitam-se em Jerusalém e na Eternidade. Em Jerusalém, porque foram os romanos que destruíram a amada e idolatrada capital do judaísmo. Na eternidade, porque foram os romanos, também, quem assinaram a sentença de morte de Cristo, o Filho do Deus Vivo!
O Império Romano, portanto, será tratado com severidade no Dia do Senhor! 

GEOGRAFIA DO IMPÉRIO ROMANO
É difícil traçar os limites do Império Romano. Dilatadíssimo, mantinha incontáveis províncias na Europa, Ásia e África. Foi o mais poderoso reino da Terra. Sua presença era sentida em todas as partes do Globo. Nos tempos de sua maior extensão, informa John Davis, o Império Romano media 3.000 milhas de este a oeste, e 2.000 de norte a sul, com uma população de 120.000.000. 

O LEGADO DO IMPÉRIO ROMANO
Os gregos legaram-nos a base da sociedade ocidental. Os romanos, sua estrutura. Pragmáticos e administradores por excelência, deixaram-nos colossal monumento jurídico esculpido em sua experiência privada e pública. "Aplicando e interpretando a lei, os pretores criaram duas espécies de direito: o que se aplicava aos cidadãos romanos, chamado 'jus civile', e o que dizia respeito a todos os povos de maneira geral, denominado 'jus gentium'. Era o 'jus gentium' que autorizava a existência da escravidão e da propriedade privada, sendo, portanto, um complemento do 'jus civile.' "O 'jus civile' romano estabeleceu uma perfeita distinção entre pessoa e pessoas ao mesmo tempo. Os escravos não eram considerados pessoas e, assim, destituídos de quaisquer direitos." Eis mais alguns importantes legados romanos: tirocínio administrativo; engenharia diversificada e prática; política exterior fundada no pragmatismo; disciplina e agilidade nas forças armadas, e, urbanização eficaz.

O IMPÉRIO ROMANO E OS JUDEUS
            Ao tomar Jerusalém, em 63 a.C, o general romano Pompeu depara-se com a nação judaica bastante enfraquecida, em consequência de  disputas internas.
De manobra em manobra, Herodes, o Grande, consegue dos romanos o governo e o trono da Judéia. Sua carreira política teve início, quando ele tinha 15 anos. Desde cedo mostrou-se cruel e sanguinário. Não tolerava quaisquer arranhões em sua autoridade. Sedento de poder, prendia, desterrava e matava. Tão maquiavélico era Herodes que, fácil e rapidamente, ganhou a confiança dos mandatários romanos. Nas situações mais adversas, mostrava quão habilidoso político era. Ele não suportava a menor ameaça ao seu trono. Em 37 a.C, finalmente, o monstruoso Herodes liquidou seus adversários e o trono da Judéia era todo seu! Um de seus últimos desatinos foi a matança dos inocentes de Belém. Sua real intenção era destruir a vida de Jesus.
Das personalidades romanas enviadas à Judéia, duas se destacam, uma, responsável pela morte de Jesus, e a outra, pela destruição de Jerusalém: Pôncio Pilatos e o general Tito. 

1 - Pilatos
Pôncio Pilatos assumiu o governo da Judéia no ano 26 d.C. Nomeado por Tibério, sua administração foi tumultuada e cheia de agitações. O historiador e filósofo hebreu, Filo, escreve sobre o quinto governador romano da terra de Judá, taxando-o de rígido, teimosamente severo, de disposição pronta a despeitar os outros; era excessivamente iracundo. O mesmo cronista fala, ainda, dos subornos, atos de orgulho e violência, ultrajes, brutalidades e assassinatos cometidos por essa autoridade romana. Pilatos dispunha de amplos poderes na Judéia. Tendo à sua disposição formidável aparato militar, tinha autoridade para prender, executar e suspender qualquer pena capital.
Ao rejeitar o seu Cristo, os judeus disseram: "Caia sobre nós o seu sangue, e sobre nossos filhos!" (Mt 27.25.) Essas duras e irresponsáveis palavras foram pronunciadas ante Pôncio Pilatos que pretendia indultar alguém por ocasião da Páscoa. Ao pedir que escolhessem entre Jesus e Barrabás, com os seus corações cheios de ódio, optaram por um salteador e entregaram Jesus à morte. Com essa insana escolha, os filhos de Abraão começavam a escrever um dos mais tristes capítulos de sua atribulada história. O sangue do Nazareno começaria a cair-lhes sobre a cabeça a partir do ano 70 d.C, com a destruição de Jerusalém e do Templo pelos romanos. Nessa época, o Cristianismo já havia alcançado os mais longínquos rincões do Império Romano. Na Judéia, enquanto isso, os israelitas foram obrigados a suportar toda a sorte de arbitrariedade das autoridades romanas. A vida da comunidade judaica, nessa cidade, transformou-se num inferno. Os israelitas nem mesmo podiam adorar a Deus. Em frente às sinagogas, os helenos promoviam grandes tumultos, impedindo a realização dos ofícios religiosos.

O FIM DO IMPÉRIO ROMANO
            Depois de séculos de sanguinolência e devassidão, permissividade e térrea tirania, chega ao fim o Império Romano. A imoralidade e a inebriante luxúria tiraram do povo romano sua fibra e coragem. Enquanto isso, os inimigos de Roma fortaleciam-se e preparavam-se para deitá-la por terra. Em 476 d.C, os bárbaros invadiram Roma. Desapareceu, assim, o mais extenso e poderoso reino humano! No entanto, segundo profetizou Daniel, esse império ressurgirá com grande poder. Sua duração, porém, será curta. O Rei dos reis e Senhor dos senhores encarregar-se-á de destruí-lo.    


                      

Atividade: Montar um quadro comparativo entre os impérios estudados, traçando semelhanças e diferenças entre eles.



UNIDADE 2 – A Terra de Canaã e seus Habitantes
Quando lemos a Bíblia, deparamo-nos com centenas de nomes de lugares da Terra Santa, onde desenvolveu-se a maravilhosa História da Salvação. Movidos por irreprimível curiosidade, desejamos conhecer tudo isso "in loco". Nem sempre, porém, é possível fazê-lo. Através de minuciosas e exatas descrições, iremos a Israel, aos lugares percorridos pelos patriarcas, profetas e apóstolos. Perceberemos, em cada mapa, o meigo Salvador, em cada acidente geográfico, a relevância do amor de Deus. À semelhança dos espias de Josué, reconheceremos o solo sagrado, do qual mana leite e mel.      
2.1 Israel: O solo sagrado por excelência 
Israel é um dos menores países do mundo. Em seu exíguo solo, entretanto, desenrolou-se todo o nosso drama espiritual. Terra mística e abençoada, serviu de berço a patriarcas, profetas, juízes, reis, sábios e justos. Guardada pelo Todo-poderoso, acolheu em seus áridos regaços o Salvador da humanidade. Não obstante suas acanhadas possessões geográficas. a Terra Santa sempre foi um pomo de discórdia entre os homens. Localizada no centro do globo, torna-se, a cada dia, mais polêmica. Todos preocupamo-nos com o seu futuro. Em seu amanhã, está o nosso porvir! Com a criação do Estado de Israel, em 1948, a herança abraâmica centrou-se, mais visivelmente, em nossos estudos escatológicos. Divisamos, no renascimento do minúsculo país semita, a aproximação da volta de Cristo. Vale a pena, portanto, conhecer a geografia das terras pisadas por  Jesus. Israel é o solo sagrado por excelência. 
2.1.1 NOMES DE ISRAEL
Tanto na história sagrada, como na secular, a Terra de Israel recebeu várias designações. Cada nome por ela recebido encerra um drama vivido pelo povo de Deus. Desde a Era Patriarcal até os nossos dias, as mais variadas nomenclaturas têm sido dadas ao território israelita. Para os hebreus, entretanto, o seu sagrado solo nunca deixará de receber esse carinhoso tratamento: Terra Prometida. 
A – Canaã
Após a dispersão da humanidade, ocorrida quando da construção da Torre de Babel, os descendentes de Canaã fixaram-se nas terras que seriam entregues a Abraão. Isso ocorreu há mais de dois mil anos antes de Cristo. Nessas paragens, conhecidas por sua fertilidade e riquezas naturais, os cananeus multiplicaram-se sobremaneira. Esse país, a partir de então, passou a ser conhecido como Canaã, o mais antigo nome do território israelita. Eis o significado literal desse nome: "habitantes de terras baixas". Tendo em vista essa etimologia, concluímos: os cananeus adoravam as planícies! Os descendentes de Canaã, depreendemos das Sagradas Escrituras, dominavam do Mediterrâneo ao rio Jordão. Com o passar dos séculos, Canaã passou a ter uma conotação poética. Lembra esse nome aos judeus, "...uma terra boa e ampla, terra que mana leite e mel" (Ex 3.8). 
B - Terra dos Amorreus
O território que Deus entregou aos judeus era conhecido na antiguidade, também, como Terra dos Amorreus. Essa designação é encontrada tanto no Antigo Testamento, como nos escritos profanos. É um dos mais antigos nomes da Terra Santa.

C - Terra dos Hebreus 
Conforme a árvore genealógica de Sem, os israelitas são descendentes de Héber. O território judaico, por esse motivo, era conhecido, ainda como Terra dos Hebreus. Nesses rincões, os santos patriarcas forjaram a nacionalidade hebraica e deram corpo e colorido ao seu idioma. A palavra hebreu, entretanto, pode significar, de igual modo, "o que vem do outro lado, ou do além". Trata-se de uma referência à peregrinação abraâmica, de Ur a Canaã. Todavia, preferimos a primeira explicação, por estar mais de acordo com os reclamos da língua hebraica. 
D - Terra de Israel   
Sob o comando de Josué, os israelitas tomaram Canaã, no Século XV a.C. A partir de então, passaram as possessões cananéias a ser designadas desta forma: Terra de Israel. Não há nomenclatura tão apropriada como essa! Ela encerra a maioria das promessas divinas a Abraão e compreende a essência das realizações terrestres do Milênio. Esse é o nome mais comum da Terra Santa. Encontramo-lo, com frequência, no Antigo Testamento. Constitui-se, ainda, em um perpétuo memorial: Esse território é de propriedade permanente do povo de Israel! Quer os gentios admitam ou não, a terra que mana leite e mel pertence à progênie abraâmica. Após o cisma do reino salomônico, essa nomenclatura passou a designar, apenas, as terras ocupadas pelas 10 tribos do Norte, comandadas pelo idolatra e profano Jeroboão. Com os exílios, a Terra de Israel torna-se um nome esquecido. Durante mais de dois mil anos, o território israelita recebeu as mais vexatórias alcunhas. No entanto, com a criação do moderno Estado de Israel, todo o escárnio que pesava sobre os descendentes de Jacó foi tirado.
E  - Terra de Judá  
Depois de vencer os cananeus, Josué passou a dividir a Terra da Promessa. Coube à tribo de Judá uma herança localizada no Sul dessas possessões. O território herdado pelo mais bravo filho de Israel ficou conhecido como Terra de Judá. Contudo, após o cisma do reino davídico, ocorrido no ano 931 a.C, essa designação passou a incluir, também, as terras ocupadas pela tribo de Benjamim. Terminado o cativeiro babilônico, em 538 a.C. o povo de Judá retorna à sua herança,  sob o comando de Zorobabel. Inspirados pela liderança eficaz de Neemias, pela erudição de Esdras, pelo zelo sacerdotal de Josué e pelo fervor profético de Ageu e Zacarias, os judeus reorganizam-se nacionalmente. A partir desse renascimento parcial da soberania hebraica, as possessões abraâmicas passaram a ser designadas como Terra de Judá. E, seus habitantes, consequentemente, começaram a ser chamados de judeus. 
F  - Terra Prometida  
No Século XX a.C. Deus fez a seguinte promessa a Abraão: "Sai-te da tua terra, e da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei. E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei, e engrandecerei o teu nome e tu serás uma bênção. E abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra. Assim partiu Abrão, como o Senhor lhe tinha dito, e foi Ló com ele; e era Abrão da idade de setenta e cinco anos, quando saiu de Harã" (Gn 12.1-4). Com essa sublime promessa de Deus a Abraão, o território israelita passou a ser conhecido como Terra Prometida. Esse nome, poético e trágico, evoca as mais elevadas recordações na peregrina alma do povo escolhido. Por causa desse chão de promessas, os israelitas, há mais de dois mil anos longe de seu lar, instalam-se em sua terra e provam estar a bênção abraâmica mais atual do que nunca. 
G -  Terra Santa  
Zacarias, um dos mais escatológicos profetas do Antigo Testamento, disse: "Exulta, e alegra-te, ó filha de Sião. porque eis que venho, e habitarei no meio de ti, diz o Senhor. E naquele dia, muitas nações se ajuntarão ao Senhor, e serão o meu povo: e habitarei no meio de ti. e saberás que o Senhor dos Exércitos me enviou a ti. Então o Senhor possuirá a Judá como sua porção na terra santa, e ainda escolherá Jerusalém" (Zc 2.10-12). Não obstante as guerras, os embates políticos e os conflitos sociais, Israel é conhecido como a Terra Santa. Os judeus veneram-na como o solo de seus antepassados e o terreno de sua milenar esperança. Têm-se os cristãos como o berço do Salvador e o regaço da regeneração da raça humana. Para os árabes, trata-se de um campo etéreo e permeado de mistérios celestiais. Em pleno alvorecer do Terceiro Milênio, milhares de caravanas judaicas, cristãs e árabes rumam à Terra Santa. Nenhum outro país é tão místico quanto Israel! Visitá-lo constitui-se no sonho de milhões de seres humanos. 
H  - Palestina  
Israel é conhecido, também, como Palestina. Esse nome é oriundo da palavra Filistia, que designava a faixa de terra habitada pelos antigos filisteus, localizada no Sudeste de Canaã, ao largo do mar Mediterrâneo. Esse povo era ferrenho inimigo dos hebreus e causou muitas dificuldades aos primeiros monarcas israelitas. No período neo-testamentário, o historiador Flávio Josefo cognominou todo o território israelita de Palestina.
Desde o domínio romano até a fundação do Estado de Israel, em 12 de maio de 1948, a terra dos judeus era conhecida em todo o mundo como Palestina. Atualmente, contudo, o nome de Israel tornou-se novamente, predominante. 

LOCALIZAÇÃO
A Terra de Israel está localizada no continente asiático, a 30* de latitude Norte. Em toda a sua extensão ocidental, é banhada pelo mar Ocidental. Tendo em vista o seu posicionamento estratégico, constituiu-se, segundo Oswaldo Ronis, "num centro de gravidade para o mundo e as civilizações da antiguidade." Acrescenta Ronis: "Do ponto de vista comercial, ficava na rota obrigatória do tráfego entre o Oriente e o Ocidente, bem como entre o Norte e o Sul; e, do ponto de vista político, igualmente passagem inevitável dos exércitos conquistadores das grandes potências ao seu redor, razão pela qual estas se interessavam por sua conquista e fortificação. Daí as devastações sofridas pela Palestina em repetidas ocasiões da sua história." 
No texto bíblico Israel limita-se ao norte com a Síria e a Fenícia. Ao leste, com partes da Síria e o deserto arábico. Ao sul, com a Arábia. A oeste, com o mar Mediterrâneo. Esses limites, entretanto, variavam de acordo com as tendências políticas e os movimentos militares de cada época. Constantemente, os israelitas tinham o seu território alargado ou diminuído. No tempo de Salomão, por exemplo, as fronteiras de Israel dilataram-se consideravelmente. Depois de sua morte, contudo, as possessões hebraicas foram diminuindo, até serem absorvidas pelos grandes impérios. 
O moderno Estado de Israel, por sua vez, limita-se ao norte, com o Líbano; a leste, com a Síria e a Jordânia; ao sul, com o Egito; e, a oeste, com o mar Mediterrâneo. De exíguas dimensões, sua área não chega a 22.000 km. Como já dissemos, é um dos menores países do mundo. No entanto, as fronteiras do território hebraico foram sobremodo alargadas durante a Guerra dos Seis Dias, ocorrida em junho de 1967. Depois desse conflito, os limites israelenses foram dilatados em aproximadamente 400 por cento.
2.2 Habitantes de Canaã
Quando Abraão chegou a Canaã, foi muito bem recebido por seus moradores. Pôde deslocar-se livremente pelos amplos territórios; manteve negociações com eles, combateram juntos e viveram mais ou menos em comum, exceto na religião. Não encontramos Abraão praticando os cultos dos cananeus nem estes o culto de Abraão.  
O Livro de Gênesis (10.15) alinha nove nações em Canaã, mais os filisteus e caftorins, todas debaixo do título geral: habitantes de Canaã. Quando Deus falou a Moisés na sarça ardente, mencionou: cananeu, heteu, amorreu, perizeu, heveu e jebuseu (Êx 3.8). Faltou girgaseu, que é lembrado em Gênesis 15.21. Tanto em Gênesis 10 como em Gênesis 15 são mencionados outros povos e nações. No tempo da conquista, entretanto, apenas sete nações são mencionadas em Canaã (Js 3.10). Os filisteus não são contados com as sete nações. Formavam um poderoso império, absorveram os pequenos povos. Por exemplo, os caftorins, mencionados com os filisteus em Gênesis 10.14, “destruíram os aveus, que habitavam em vilas até Gaze, e habitaram no lugar deles” (Dt 2.23). Os refains (ou “refaítas”) foram destruídos pelos amonitas (Dt 2.20,21). Os emins (ou “emitas”) foram desapossados por Moabe (Dt 2.10,11). Os horeus foram expulsos de seus territórios por Edom (Dt 2.12).
Sete nações cananeias constituíam, com os filisteus, um vasto império, uma espécie de superpotência, na terra que Deus prometeu a Abraão e seus descendentes.  Segue um apanhado histórico de cada uma delas:
a)    Amorreus
            O nome amorreu é usado no Antigo Testamento para designar:  1. Os habitantes da Palestina em geral.  2. Os povos dos montes que se opõem aos das planícies.  3. Um povo específico, ocupando uma cidade ou uma região maior, com seu rei. Eles eram encontrados no lado ocidental do mar Morto (Gn 14.7), em Hebrom (Gn 14.13), em Siquém (Gn 48.22), em Gileade e Basã (Dt 3.8- 10) e nas imediações do monte Hermom (Dt 3.8). Deus ordenou a Israel que destruísse os amorreus (Gn 3.7; Dt 2.1). Aparecem com cinco reis para enfrentar Josué (Js 10.5). Ezequiel refere-se a Jerusalém como um país amorreu (Ez 16.3), e os gibeonitas descendem dos amorreus também (2Sm 21.2). Números 13.29 declara: “Os amalequitas habitam na terra do Neguebe; os heteus, os jebuseus e os amorreus habitam na montanha; os cananeus habitam ao pé do mar e pela ribeira do Jordão” (Nm 13.29). Siom (ou “Seom”), rei dos amorreus, conquistou a parte de Moabe (Nm 21.21-31; Dt 2.26-35). Os amorreus surgiram cerca de 2500 a.C. dominando Mesopotâmia e Síria com capital em Harrã. Pouco depois, o norte da Caldeia era ocupado por dinastia amorita, cujos reis descendiam de Sumo (o Sem da Bíblia). Hamurabi, o Anrafel de Gênesis 14.1, pertence a essa dinastia. Nos documentos históricos da época de Hamurabi muitas referências são feitas ao rei dos amorreus. Quando, porém, Ur sobressaiu-se na Caldeia e no mundo, os reis dos amorreus foram subjugados. Abraão viveu em Ur quando os amorreus já estavam enfraquecidos. 

b)    Heteus
   Alguns críticos afirmam que os heteus não passavam de um povo sem importância e inexpressivo, como que pretendendo negar o valor histórico de 2 Reis 7.6. Contudo, nessa passagem bíblica, os heteus aparecem em pé de igualdade com os egípcios; afirma-se ainda a pluralidade de reis, isto é, uma confederação, um império; ainda mais: era um povo forte e guerreiro, com carros, cavalos e cavaleiros. Hoje, entretanto, pelas grandiosas descobertas arqueológicas, sabemos que os heteus formavam poderoso império e eram senhores de vasta cultura e apuradíssima civilização. Pouco antes do profeta Eliseu, os heteus disputaram com os egípcios o domínio da Ásia ocidental. Nos livros históricos do Antigo Testamento os heteus aparecem com alguma frequência e estabelecidos no norte de Israel, com cidades principais em Hamate e Cades nas margens do rio Orontes, alongando-se na direção meridional. Mas Gênesis menciona outros “heteus”, isto é, os filhos de Hete (Gn 15.20). Abraão comprou dos filhos de Hete a cova de Macpela, em Hebrom (Gn 23.10); as duas esposas de Esaú eram heteias (Gn 26.34). Provavelmente, Gênesis 10.15 refere-se aos heteus do Sul, e só à luz dessa concepção podemos entender Ezequiel afirmando sobre Jerusalém: “… teu pai era amorreu, e tua mãe, heteia” (Ez 16.3). Os heteus eram fisicamente feios, de pele amarelada, com fisionomia pronunciadamente mongólica, fielmente reproduzidos nos seus próprios monumentos e nos do Egito. Seus olhos eram escuros e negros, seus cabelos, lisos e duros. Eram de baixa estatura e fortes; o contrário dos amorreus, que eram altos e bem formados, de boa aparência, olhos azuis e cabelos louros. No século XII a.C. os heteus eram fortes e aguerridos, e puderam conter o avanço assírio na Ásia Meridional. Aos poucos, porém, foram se enfraquecendo, e os assírios os venceram. 
c)    Cananeus
   O nome cananeu vem de Canaã, filho de Cam, filho de Noé (Gn 10.6). Os irmãos de Canaã foram Cuxe, Mizraim e Pute. Ocuparam uma grande faixa de terra no vale do Jordão e se estenderam pela orla do Mediterrâneo (Nm 13.29; 14.25). Apesar de procederem do mesmo tronco racial e de trazerem o mesmo nome, o grupo do Jordão era independente do grupo Mediterrâneo e vice-versa. O faraó Merneptá transformou os cananeus numa colônia egípcia. Quando Israel conquistou Canaã, o Egito perdeu sua colônia e seus aliados. O Egito reforçou sua posição na orla marítima ocupando grande parte do território filisteu. Sofonias 2.5 chama a terra dos filisteus de Canaã. Nos dias de Josué, os cananeus eram um povo forte, belicoso, possuindo carros de ferro e fortes cavalos. Tinham cidades fortificadas, tais como Bete-Seâ, Megido, Sidom, Acor, Hebrom, Dor etc. Josué não conseguiu desapossar totalmente os cananeus (Jz 1.27-33). Débora infringiu-lhes violenta e desastrosa derrota, e Sísera pereceu (Jz 4). Escavações arqueológicas revelaram muitos mistérios que escondiam a história do poderoso povo cananeu, principalmente no período anterior à ocupação israelita.
d)    Perizeus (ou ferezeus)
Descendentes de Canaã (Gn 15.20), os perizeus eram um povo pequeno, comparado com as outras seis nações cananeias. Perizeu significa camponês ou aldeão. O nome parece indicar a “posição social inferior” que ocupavam na terra. Na Bíblia, eles aparecem sempre ligados aos cananeus; daí muitos acreditarem tratar-se de um mesmo povo, diferindo apenas nas condições sociais: os cananeus habitavam as cidades e, por isso, constituíam a classe mais alta, enquanto os perizeus habitavam os campos e dedicavam-se à agricultura, razão por que eram mais rudes e constituíam um grupo inferior. Note-se que isso é hipótese; representa apenas o ponto de vista de alguns estudiosos. Pelas numerosas referências bíblicas, os perizeus se espalharam por toda a terra de Canaã. Quando houve contendas entre os pastores do gado de Abraão e Ló, os perizeus estiveram presentes em parceria com os cananeus (Gn 13.7). Jacó teve pavor deles quando em Siquém. Levi e Simeão passaram ao fio da espada os siquemitas (Gn 34). Nos dias da conquista de Canaã, Josué defrontou-se aos perizeus nas faldas do monte Carmelo (Js 17.15) e também nos territórios ocupados por Judá (Jz 1.4,5). Israel desapossou os perizeus e foram quase totalmente exterminados. Todavia, alguns permaneceram até os dias de Salomão (1Rs 9.20). 
e)    Heveus
Um dos povos descendentes de Canaã (Gn 10.17; 2Cr 1.15). Povo antigo da Síria e da Palestina, distinto do cananeu, do jebuseu, do perizeu, do girgaseu e do amorreu (Êx 3.8; Nm 13.29; Dt 7.1), e às vezes associado aos arqueus, habitantes do Líbano (Jz 3.3) e da serra do Hermom (Js 11.3). O rei Davi os encontrou no vale que leva a Hamate e os alistou com Tiro e Sidom (2Sm 24.7). Foram conscritos por Israel como trabalhadores nos projetos de edificação do templo de Salomão (1Rs 9.20; 2Cr 8.7). Sem dúvida alguma, outro grupo heveu se localizou em Siquém, nas proximidades do monte de Samaria. Foi nessa região que houve o incidente de Hamor, o heveu, com Diná, filha de Jacó, que resultou na morte de uma grande parte desse povo (Gn 34). No tempo da conquista, os heveus iludiram Josué e os príncipes da congregação israelita, e Josué os reduziu a rachadores de lenha e tiradores de água para o povo de Deus (Js 9).
f)     Girgaseus
  Esse povo também procedeu de Canaã (Gn 10.16; 2Cr 1.14). Quando Abraão chegou a Canaã, os girgaseus já estavam na terra e fazem parte da lista de povos que Deus deu a Abraão (Gn 15.21; Ne 9.8). Pouco se sabe das atividades desse povo. Eles ofereceram resistência a Josué na conquista de Canaã, mas foram vencidos pelos exércitos do Deus vivo (Dt 7.1; Js 3.10). Alguns procuram descobrir identificação entre girgaseus e gergesenos (ou “gadarenos”) de Mateus 8.28, localidade da banda oriental do mar da Galileia. Isso, entretanto, é apenas provável. Nos anais arqueológicos aparece outro povo com o mesmo nome de girgaseus, que provavelmente nada tem com os de Canaã. Eis o que afirma Kenneth Anderson Kitchen, preletor de egípcio e cóptico da Universidade de Liverpool: Em Ugarite, do norte de Canaã (sécs. XIV/ XIII a.C.), os girgaseus são indiretamente comprovados por dois substantivos pessoais: grgs e bn-grgs, isto é, Girgas e Ben-Girgas (referências na obra de Gordon, Ugaritic Manual, 1955, III, pág. 252, n.º 439). Os girgaseus bíblicos e os girgas de ugarite são provavelmente diferentes de um povo da Ásia Menor chamados karkisa nos relatos hititas, e krksh nos registros egípcios correspondentes.
g)    Jebuseus
Esse povo também descende de Canaã (Gn 10.16; 15.21). Colonizaram o distrito em redor de Jerusalém, que primitivamente se chamava Jebus, e seus habitantes, jebuseus (Jz 19.10,11; 2Cr 11.4,5; Js 15.28). Habitaram as colinas talvez não em Jerusalém, mas nos arredores (Nm 13.29; Js 11.13; 15.8,16). A primeira referência aos jebuseus é feita pelos doze espias (Nm 13.29), a não ser que Melquisedeque (Gn 14.18-20), rei de Salém, tenha sido rei jebuseu, e disso absolutamente nada se sabe. Quando Josué tomou Jericó e em seguida Ai, os gibeonitas fizeram paz com Israel. Devido a esse acordo de paz, Adoni-Zedeque, rei de Jerusalém, convocou os reis de Hebrom, de Jarmute, de Laquis e de Eglom para formarem uma confederação a fim de atacar Gibeão. Mas Josué socorreu seus aliados e a confederação dos cinco reis foi derrotada diante do Senhor (Js 10.1-11). Os gibeonitas entram em cena novamente nos dias de Davi. Eles construíram no monte Ofel, ao sul do monte Moriá, uma fortaleza quase inexpugnável. Ninguém conseguia penetrá-la. Joabe, sobrinho de Davi, descobriu o canal que abastecia de água a cidade, entrou e tomou a fortaleza (2Sm 5.6-10), a mesma que Josué não conseguira dominar (Js 15.63). Davi fortificou ainda mais a fortaleza dos jebuseus, habitou nela e chamou-lhe Cidade de Davi. Mas tudo indica que houve paz entre Davi e os jebuseus. Passaram a habitar a colina onde mais tarde Salomão edificaria o templo. Araúna, o jebuseu, vendeu essa colina ao rei Davi (2Sm 24.18-25), que edificou nela um altar e ofereceu sacrifícios ao Senhor, para que cessasse a praga que devastava Jerusalém.

2.3 O cisma israelita – Israel e Judá
a) Reino Unido
Da conquista da terra, sob Josué, até o alvorecer do período dos Juízes, Israel foi alargando seus territórios, derrotando este e vencendo aquele. No apogeu da judicatura (período dos juízes), porém, Israel perdeu consideráveis áreas de suas terras; e continuou perdendo na última parte do reinado de Saul. Davi conquistou, pelas armas, tudo o que Israel perdera sob os juízes e sob Saul, e acrescentou novas terras. Davi derrotou os filisteus, os moabitas, Hadadezer, os siros de Damasco, os edomitas (1Cr 18.1-13), os amonitas (1Cr 19 e 20) e conquistou Sião, em Jerusalém (1Cr 11.4-9). Salomão conservou e consolidou as conquistas de seu pai Davi e, mediante alianças, estendeu seus domínios até “além do rio” (Ed 4.20), ou seja, o Eufrates. Salomão dominou tudo e sobre tudo.
b) Reino dividido
O episódio da divisão do reino de Israel está narrado na Bíblia. Para conhecer os pormenores é importante ler: 1Rs 12; 2Cr 10; Ez. 47.13-23 e Ez. 48. O reino foi dividido em duas partes: Norte (ou Israel), com capital em Siquém e Penuel (1Rs 12.25), e depois Samaria (1Rs 16.24), com dez tribos e mais a meia tribo de Benjamim; e Sul (ou Judá), com capital em Jerusalém, com Judá e a outra meia tribo de Benjamim (1Rs 12.20-21; 2Cr 11.2).









2.4 Cativeiro e Restauração

a)    OS CATIVEIROS ASSÍRIO E BABILÔNICO
 A cisão enfraqueceu ambas as facções, principalmente a nortista. As relações entre os reinos de Israel e Judá nem sempre foram amistosas. De quando em quando uniam-se para combater um inimigo comum, na maioria das vezes, contudo, estavam em guerra. Com o passar do tempo, a identidade nacional e religiosa entre os israelitas e judaítas torna-se cada vez mais fraca. Seguindo orientação do idolatra e inescrupuloso Jeroboão, os moradores do Israel setentrional não desciam a Jerusalém para adorar. Esse ciumento soberano, temendo perder os seus súditos, fechou suas fronteiras. Para conquistar o respeito e a amizade dos israelitas, construiu-lhes dois bezerros de ouro. E, a partir de então, ele fica conhecido como "o rei que fez Israel pecar". Depois de Jeroboão, teve Israel mais 18 reis. Todos eles trilharam os caminhos da idolatria e da impiedade. Com o culto a Baal, introduzido por uma meretriz chamada Jezabel, o povo corrompeu-se completamente. Não podendo suportar tanta apostasia, o Senhor entregou as tribos do Norte aos inumanos e selvagens assírios. No ano de 722 a.C, as forças de Nínive invadem Israel e levam cativos os filhos de Jacó. Inicia-se o cativeiro assírio, que deixaria profundas sequelas na nação hebraica. Depois da destruição do Reino de Israel, Judá sobreviveu ainda por mais de 135 anos. A maior parte desse tempo, contudo, pagou pesados tributos à Assíria.
Com a ascensão de Babilônia, começa a ruína do Reino do Sul. Em 605 a.C, tropas babilônicas invadem Judá. Tem início o Cativeiro Babilônico que, segundo Jeremias, duraria 70 anos. O Templo é destruído pelos exércitos de Nabucodonozor em 587 a.C. Na capital do novo império, os judeus progridem. Alcançam elevados postos na administração iniciada por Nabopolassar. Daniel, por exemplo, tornou-se o mais influente conselheiro da realeza. Terminado o período de 70 anos, parte dos filhos de Judá retorna à Terra Santa. Centenas de milhares, todavia, permanecem no exílio. Vagando de nação em nação, sofrendo injustas perseguições e injustificáveis preconceitos, tornam-se errantes.

b)    A RESTAURAÇÃO DE ISRAEL
Após os exílios assírio e babilônico, a nação hebraica ficaria distante de Sião por mais de 2.500 anos. Houve, é claro, alguns períodos de independência e glória, mas foram esporádicos e não contaram com a participação da totalidade do povo. O advento do férreo Império Romano, conforme já dissemos, marca o fim da restauração nacional iniciada por Esdras, Neemias, Zorobabel e pelos profetas Ageu e Zacarias. Os judeus, ao tentarem sacudir o jugo romano, são dispersados por todas as nações do mundo, onde sofreram e sofrem terrivelmente. - Qual a razão de seu sofrimento? - Sem dúvida alguma, a rejeição de seu Messias. Em meio a povos estranhos, os filhos de Israel foram humilhados, e aterrorizados. Seus sofrimentos, aliás, foram vaticinados por Moisés: LER: Dt 28.49-57 e Dt 28.63-68.
Durante a sua peregrinação, Israel sofreu os mais duros revezes. Judeus foram massacrados em todas as partes do mundo. E, nos anos que precederam ao estabelecimento do moderno Estado judaico, Hitler ordenou a matança de seis milhões de israelitas. Foi o mais bárbaro crime da História. Entretanto, no final da Segunda Guerra Mundial, a nação hebraica conscientizou-se de sua peculiar situação.  Somente uma pátria na Palestina, dar-lhe-ia a segurança necessária à sua sobrevivência. E, após muitas batalhas diplomáticas, o Estado de Israel começa a existir a partir de 12 de maio de 1948. Cumpria-se, assim, a profecia de Isaias: "Antes que estivesse de parto, deu à luz; ante que lhe viesse as dores, deu à luz um filho. Quem jamais ouviu tal cousa? Quem viu cousas semelhantes? Poder-se-ia fazer nascer uma terra num só dia? nasceria uma nação de uma só vez? mas Sião esteve de parto e já deu á luz seus filhos" (Is 66.7,8).
Desde a proclamação de sua independência, Israel tem enfrentado diversos conflitos bélicos: em 1948, a Guerra da Independência; em 1956, a Guerra de Suez; em 1967, a Guerra dos Seis Dias; em 1973, a Guerra do Yom Kippur; e, em 1982, a Guerra do Líbano. Em todos esses embates, entretanto, as forças judaicas têm saído vencedoras, porque o Senhor dos Exércitos está ao seu lado. Cumpre-se à risca, pois, este vaticínio de Amós: "E os plantarei na sua terra, e não serão mais arrancados da sua terra que lhes dei, diz o Senhor teu Deus" (Am 9.15).
 A nação israelense, com o seu renascimento e progresso, tem um grande significado para nós. O pastor Abraão de Almeida, um dos maiores especialistas em assuntos judaicos, escreve: "Com o cumprimento das profecias, Deus nos está mostrando sua fidelidade a Israel, e à Igreja, fidelidade que deve induzir todos os povos a temê-lo. Por isso, o salmista registrou: 'Tema toda a terra ao Senhor, temam-no todos os moradores da Terra, porque falou, e tudo se fez; mandou, e logo tudo apareceu. O Senhor desfaz o conselho das nações, quebranta os intentos dos povos. O conselho do Senhor permanece para sempre; os intentos do seu coração de geração em geração. Bem aventurada é a nação cujo Deus é o Senhor, e o povo que ele escolheu para sua herança.' (Sl. 33. 8-12). Notem que o Senhor desfaz o conselho das nações, quebranta o intento dos povos. Nenhuma das muitas resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas contra Israel prosperou ou prosperará, pois o Senhor frustra todas as decisões que contrariem sua Palavra. Também têm sido quebrantados os maus intentos dos inimigos de Israel, como o Egito de Nasser, a União Soviética, a OLP (Organização para a Libertação da Palestina) etc."   
Prossegue o pastor Abraão de Almeida: "O retorno final de Israel, a reconstrução das suas cidades antigas e o reflorestamento do país indicam que estamos vivendo nos últimos tempos. A Bíblia diz que a Palestina seria assolada até o fim (Dn 9.26), mas que, ao término do cativeiro, os israelitas reedificariam as cidades assoladas e nelas habitariam, plantariam vinhas, beberiam o seu vinho e fariam, pomares e lhes comeriam os frutos (Am 9.14)." Portanto, estejamos vigilantes, porque a volta de Cristo concretiza-se dia após dia. Que a nossa oração seja: "Paz sobre Israel!"

Atividade: Pesquisar sobre a situação atual da Palestina e seu lugar no cenário mundial



UNIDADE 3 – Geografia Física -
Canaã: entre vales e montanhas

Os geógrafos modernos, de modo geral, dividem a Terra de Israel em cinco principais planícies: Acre, Sarom, Filístia, Sefelá e Armagedom. Um conhecimento mais detalhado desses lugares faz-se necessário, em virtude de sua importância na História Sagrada. Lancemos mão, portanto, de um importante ramo da Geografia para conhecê-los melhor: TOPOGRAFIA.  "Topografia" significa, literalmente, descrição de um lugar ou de uma região. Essa palavra é formada por dois termos gregos: "topos" - região e "gráphein" - descrever. Essa ciência ocupa-se da medida e representação geométrica de uma determinada porção da superfície do globo. Seu principal objetivo é fornecer dados para a confecção de cartas geográficas.

3.1 Planícies
PLANÍCIE DO ACRE
 A planície do Acre fica no extremo Noroeste da costa israelense, e estende-se até o monte Carmelo. Em toda a sua extensão, bordeja a baía do Acre. Essa região, cujo nome em hebraico é "Akko", e significa areia quente, compreende uma faixa de terra que cerceia as montanhas localizadas entre a Galiléia, o Mediterrâneo, o Sul de Tiro até a Planície de Sarom. Quando da divisão de Canaã, a Planície do Acre coube à tribo de Aser (Js 19.25-28). Os aseritas, todavia, não conseguiram desalojar os cananeus que ali habitavam. 

PLANÍCIE DE SAROM
O significado de Sarom evoca poesia e pensamentos idílicos: Zona de Bosques. A planície que leva esse nome localiza-se entre o Sul do monte Carmelo e Jope. Com uma extensão de 85 km, sua largura varia entre 15 e 22 km. O seu solo era coberto de lírios e outras flores exóticas. Ante esse selvagem esplendor, cantou a esposa: "Eu sou a rosa de Sarom, o lírio dos vales. Ao que respondeu o esposo: - Qual lírio entre os espinhos, tal é a minha amiga entre as filhas" (Ct 2.1,2 - ARA). Seus bosques de frutas cítricas são famosos em todo o mundo. Nesse aprazível recanto, podem ser encontradas quatro flores vermelhas de grande beleza: anêmona, botão-de-ouro, tulipa e papoula. A formosura e esplendor de Sarom é comparada pelo profeta Isaías à glória do Líbano: (Is 35.2). 

PLANÍCIE DA FILÍSTIA
 Situada entre Jope e Gaza, no Sudoeste de Israel, a Planície da Filístia tem 75 quilômetros de comprimento e, de largura, 25. Nessa faixa de terra, habitavam os aguerridos filisteus, inimigos mortais do povo israelita. Fértil, essa região era abundante em cereais e frutas. Os seus figos e oliveiras eram muito apreciados. Nesse território, localizavam-se as cinco principais cidades filistéias: Gaza,' Ascalom, Asdode, Gate e Ecrom. Não eram propriamente cidades, mas, indevassáveis fortalezas. Nessa planície, ficava, ainda, o Porto de Jope, muito importante para os israelitas.

PLANÍCIE DE SEFELÁ
A Planície de Sefelá é caracterizada por uma série de baixas colinas. A fertilidade de seu solo é bastante notória; as colheitas de trigo, uva e oliva são abundantes. O significado hebraico de Sefelá - terras baixas - realça bem a topografia dessa planície. Ela nos lembra mais uma faixa de terra do que uma planície propriamente dita. Sefelá serviu de lar aos patriarcas Abraão e Isaque por longos anos. E, por tratar-se de uma região política e economicamente muito importante, foi motivo várias discórdias e guerras entre israelitas e filisteus. Apesar de sua importância estratégica e de suas peculiaridades geográficas, o seu nome só é encontrado no livro apócrifo de primeiro Macabeus 12.38.



PLANÍCIE DO ARMAGEDOM
Essa planície recebe, também, estes nomes: Jezreel ou Esdraelom por causa de sua extensão e aspectos característicos, várias passagens bíblicas tratam-na de vale. A maioria dos geógrafos bíblicos, entretanto, prefere classificá-la de planície mesmo. Armagedom encontra-se na confluência de três vales, dos quais o mais importante é - Jezreel. Localizada entre os montes da Galiléia e os de Samaria, essa planície (a maior de Israel) é insuperável em sua formosura. Suavemente, alarga-se em direção do Carmelo até repousar nos montes Líbanos. A planície do Armagedom é uma das áreas mais estratégicas de Israel. Constitui-se numa via de comunicação natural entre a cidade de Damasco e o mar Mediterrâneo. No período veterotestamentário, serviu de palco a renhidos combates. Armagedom está ligado a um grande embate escatológico: "E os congregaram no lugar que em hebreu se chama Armagedom" (Ap 16.16). Nessa planície, o povo de Deus sofrerá as maiores dores de sua história.
Jesus Cristo, todavia, escolheu esse lugar para reconciliar- se com os filhos de Israel. Quando isso ocorrer, os israelitas livrar-se-ão, para sempre, de seus algozes.

OUTRAS PLANÍCIES
Deparamo-nos, na Terra de Israel, com outras planícies, tais como as de Jericó, Dotam, Moabe, Genezaré, etc. Mas, por serem pequenas, não são muito importantes no contexto histórico-bíblico.
    
3.2 Vales da Terra Santa 

Vale, segundo o Aurélio, é uma depressão alongada entre montes ou quaisquer outras superfícies. Essa palavra é bastante comum no Antigo Testamento. Encontramo-la 188 vezes nas escrituras hebraicas. No Novo Testamento, contudo, é mencionada apenas uma vez. Israel é uma terra abundante em vales. Antes da conquista de Canaã, Moisés esclarece ao povo israelita: "Porque a terra que passais a possuir não é como a terra do Egito, donde saístes, em que semeáveis a vossa semente, com o pé, a regáveis como a uma horta; mas a terra que passais a possuir é terra de montes e de vales: da chuva dos céus, beberás as águas"   (Dt 11.10 e 11).
No Novo Dicionário da Bíblia, explica-nos A.R. Millard: "Na Palestina, onde a chuva cai somente durante certo período do ano, a paisagem é recortada por muitos vales estreitos e leitos de riachos (ou wadis), que só exibem água durante a estação chuvosa (em hebraico, nahal; no árabe, iradi). Frequentemente, pode ser encontrada água subterrânea nesses wadis durante os meses de estio. (Cf. Gn 26.17,19.) Os rios perenes atravessam vales e planícies mais largos, ou então cortam gargantas estreitas através da rocha. Não poderemos estudar todos os vales da Terra Santa. Deter-nos-emos nos principais. 

Vale do Jordão
            É o maior vale de Israel. Começa nas proximidades do monte Hermom (no Norte) e vai até o mar Morto (no Sul). O território israelita, portanto, é cortado, longitudinalmente, pelo vale do Jordão. Nesse vale, corre o rio Jordão, onde Jesus foi batizado. O Jordão é, ainda, o mais profundo vale de toda a Terra: encontra-se a 426 metros abaixo do nível do mar Mediterrâneo. Netta Kemp de Money fornece-nos mais algumas informações sobre o vale do Jordão: "Seu solo, em parte argiloso e arenoso, interrompe-se por penhascos e inumeráveis pedras de forma fantástica, que imprimem àquela paisagem um ar um tanto triste e desolador. Grande parte deste vale, todavia, é de uma fertilidade exuberante e todo suscetível de cultivo. O vale do Jordão não constituía antigamente barreira intransponível, mas dificultava a comunicação e o livre tráfego entre as tribos irmãs em ambos os lados." 

Vale de Jezreel
Não podemos confundir o vale de Jezreel com a planície de mesmo nome. A confusão, no entanto, existe. Ela ocorre em consequência da inexatidão de certos autores. O vale de Jezreel começa nas nascentes do ribeiro de Jalud e termina no vale do Jordão, nas cercanias de Bete-Seã. Nas proximidades desse vale, localiza-se a moderna cidade de Zerim.

Vale de Açor
O pecado de Acã trouxe sérios prejuízos a Israel. Em consequência desse delito, os exércitos hebraicos sofreram irrefragáveis derrotas. A maldição só deixou o arraial dos israelitas com o apedrejamento do reticente pecador. A punição, de acordo com o livro de Josué, deu-se no vale de Açor: "Então Josué e todo o Israel com ele tomaram a Acã, filho de Zerá, e a prata, e a capa, e a cunha de ouro, e a seus filhos, e a suas filhas, e a seus bois, e a seus jumentos, e as suas ovelhas, e a sua tenda, e a tudo quanto tinha; e levaram-nos ao vale de Açor. E disse Josué: Porque nos turbastes, o Senhor te turbará a ti este dia.” (Js 7.24-25)
Vale de Aijalom
O Vale de Aijalom foi palco de um dos maiores milagres já presenciados por qualquer ser humano. Foi nessa região que, por uma ordem de Josué, o Sol deteve-se sobre os amorreus, possibilitando às forças israelitas, estrondosa vitória. Nesse mesmo lugar, no Século II a.C, Judas Macabeu obteve decisivo triunfo sobre as forças de Antíoco Epífanes, tirano grego da Síria. Localiza-se, nessa área, atualmente, a cidade de Yalo, onde há importantes indústrias. 

Vale de Escol
Uma região fértil e abundante em vinhedas. Assim é o vale de Escol. John Davis fornece-nos mais algumas informações acerca desse lugar de fartura: "... celebrizou-se pela exuberância de vinhedos, produtores de dulcíssimos cachos. Ignora-se se este nome era já conhecido antes dos tempos de Moisés. Como quer que seja, Hebrom relembrava aos israelitas o local onde os espias enviados por Moisés para reconhecer a terra, cortaram o famoso cacho de uvas, que dois deles trouxeram enfiado em uma vara." O vale de Escol, localizado nas proximidades de Hebrom, continua a ser famoso pela sua singular fertilidade. Atualmente, rende consideráveis divisas ao Estado de Israel, com suas uvas, romãs e figos. Escol, em hebraico, significa cacho.

Vale de Hebrom
Durante suas constantes e árduas peregrinações, o piedoso patriarca Abraão fixou-se, certa feita, no Vale de Hebrom, onde fica um lugar chamado Manre. Teve, o nosso pai na fé, nessas paragens, ricas experiências espirituais. Nessas tão abençoadas terras, o amigo de Deus construiu um altar; recebeu a divina promessa de que, não obstante sua avançada idade, ainda teria um filho, e, intercedeu pelos concupiscentes sodomitas. O vale de Hebrom serviu também de sepulcro à família patriarcal. Localizado a 30 quilômetros a sudoeste de Jerusalém, o Vale de Hebrom está a quase mil metros acima do nível do Mediterrâneo.

Vale de Sidim
No Vale de Sidim, localizado na extremidade meridional do Mar Morto, ficavam as impenitentes cidades de Sodoma e Gomorra. Recentemente, a arqueologia, com o auxílio de outras ciências, encontrou, no vale de Sidim, vestígios de antiquíssimas cidades. De acordo com as pesquisas científicas, esses povoados foram destruídos por uma grande explosão. Uma vez mais, a veracidade das Escrituras Sagradas é corroborada pela ciência. Hoje em dia, o Vale de Sidim é sem vida. Nos dias de Ló, contudo, parecia o próprio Éden. O vale de Sidim é uma séria advertência à raça humana: de Deus não se escarnece, porque tudo o que o homem semear isso também ceifará. 

Vale de Siquém
Certa vez, durante o seu ministério terreno Jesus sentou-se à beira do Poço de Jacó. E, com sua inconfundível e serena voz, falou do Reino de Deus a uma pobre e sedenta samaritana. Daquele inefável diálogo, surgiu um grande avivamento entre os desprezados samaritanos. O Poço de Jacó localiza-se no Vale de Siquém. Por causa de suas inúmeras nascentes, pode ser comparado aos mananciais da eternidade.
O vale de Siquém foi o primeiro lar do patriarca Abraão. Nesse lugar, cujo nome significa ombro em hebraico, Jacó armou a sua tenda, ao voltar de Harã; Diná foi deflorada pelo imprudente príncipe Siquém; Simeão e Levi cometeram grande chacina para vingar a irmã; e o governador José foi sepultado.

Vale de Moabe
Moisés morreu em Moabe. Dessas terras, o maior legislador do Antigo Testamento avistou Canaã. E, então, com a serenidade própria dos anjos, adormeceu.

3.3 Planaltos da Terra Santa 

O que é um planalto? Segundo o  Aurélio, uma "grande extensão de terreno plano ou pouco ondulado, elevado, cortado por vales nele encaixados”. 
Em Israel, há dois grandes planaltos: o Central e o Oriental. Ambos os planaltos têm uma altitude média que varia entre 700 a 1.400 metros.

A)   Planalto Central
O Planalto Central compreende os planaltos de Naftali, Efraim e Judá. 

1.Planalto de Naftali. - Localiza-se no Norte da Galiléia. Nessa região, habitavam os naftalitas, famosos por sua coragem. No entanto, por causa da fragilidade de suas fronteiras, sofriam constantes ataques por parte de potências hostis. 

2. Planalto de Efraim - Compreende a área de Samaria. Depois do cisma israelita, ocorrido em 931 a.C, essa região passou a ser a capital política do Reino do Norte. 

3.Planalto de Judá  - Situado no Sul, esse planalto é ladeado por Betel e Hebrom. Esse território coube aos descendentes do mais extraordinário filho de Jacó, o audacioso Judá.

B)   Planalto Oriental
Localizado no Oriente do Jordão, o Planalto Oriental, de igual modo, possui três importantes planaltos: Basam, Gileade e Moabe. 

1.Planalto de Basam - Conhecido, também, como Auram, situa-se entre o Sul do monte Hermom e o Rio Yarmuque. No tempo de Josué, essa fértil região estava sob o controle de Ogue, que foi derrotado, fragorosamente, pelos israelitas. Essas terras, abundantes em trigo e pasto para gado, passaram ao domínio da tribo de Manassés. 

2.  Planalto de Gileade - Fica entre Yarmuque e Hesbom. Esse planalto é cortado pelo Rio Jaboque. Sua fertilidade é também notória. O bálsamo dessa região era bastante apreciado no período veterotestamentário. Pergunta o profeta Jeremias: "Porventura não há unguento em Gileade? ou não há lá médico?" (Jr 8.22). 

3. Planalto de Moabe - Essa região é bastante rochosa. No entanto, entrecortam-na vicejantes pastagens. Localização: ao leste do rio Jordão e Mar Morto, prosseguindo até o rio Arnon.     

3. 4 Montes da Terra Santa 

O que é um monte? Pela definição de John Davis é "Elevação natural da terra. Aplica-se geralmente a uma eminência, mais ou menos saliente, menor do que a montanha, e maior do que um outeiro. Estes nomes têm valor relativo; às vezes a mesma elevação é designada, em alguns lugares por monte e em outros por montanha”. Monte é a tradução do hebraico 'Gibah', e do grego 'Bounos'". 
Inspirado pelo Espírito Santo cantou Davi, o suave salmista: "Os que confiam no Senhor serão como o monte de Sião, que não se abala, mas permanece para sempre. Como estão os montes à roda de Jerusalém, assim o Senhor está em volta do seu povo desde agora e para sempre" (Sl 125.1,2). Por que Davi, em seus mais belos salmos, refere-se, aos montes? Os montes sempre exerceram fortíssima influência sobre o espírito do povo de Deus. Nessas elevações, vislumbravam os israelitas a magnitude divina. A importância dos montes na Bíblia é muito grande. As tábuas da Lei foram dadas por Deus a Moisés num monte; Arão morreu num monte; também Moisés; a bênção e a maldição foram proclamadas em montes; João Batista nasceu nas montanhas; Jesus nasceu na região montanhosa da Judéia; sua grande batalha com o Diabo foi num monte; num monte foi o seu maior sermão; transfigurou-se num monte; agonizou num monte; foi crucificado num monte; e sepultado e ressurreto num monte, e, ainda, ascendeu ao Céu de um monte, e mais: voltará, colocando seus pés no monte das Oliveiras."

3.4.1 Os montes de Judá, de Efraim e de Naftali

Nessas saliências, os israelitas presenciaram grandes acontecimentos e deles participaram. Atualmente, essas elevações servem-lhes de solene memorial: recordam-lhes os intrépidos juízes; os altivos reis; os piedosos profetas; os judiciosos mestres do povo. etc.  

A- Montes de Judá

Os montes de Judá localizam-se ao Sul dos montes de Efraim. Constituem-se de uma série de elevações, entre as quais há herbosos vales, por onde correm riachos que deságuam nos mares Morto e Mediterrâneo. Eis os mais notórios montes de Judá: Sião, Moriá, Oliveiras e o da Tentação. 

Monte Sião - Localizado na parte Leste de Jerusalém, o monte Sião ergue-se ali soberano e altivo. Com aproximadamente 800 metros de altura, ao nível do Mediterrâneo, é a mais alta montanha da cidade Santa. Designa-o desta forma o profeta Joel: "E vós sabereis que eu sou o Senhor vosso Deus, que habito em Sião, o monte da minha santidade; e Jerusalém será santidade; estranhos não passarão mais por ela" (Jl 3.17). O Monte Sião era habitado pelos Jebuseus. Davi, entretanto, ao assumir o controle político-militar de Israel, resolveu desalojá-los. A partir de então, aquela singular elevação passou a ser a capital do Reino de Israel. Em virtude de sua posição privilegiada, era uma fortaleza natural para a cidade de Jerusalém. Mais tarde, ordenou Davi fosse levada a Arca da Aliança a Sião. Por causa disso, o monte passou a ser considerado santo pelos hebreus. Décadas mais tarde, com a remoção da sagrada urna ao Santo Templo, Sião passou a designar, também, a área compreendida pela Casa do Senhor. E, não foi muito difícil a própria Jerusalém ser chamada por esse abençoado nome. No Monte Sião encontra-se a sepultura do rei Davi. Em uma das lombadas dessa memorável área, localiza-se um cemitério protestante. Após o Exílio Babilônico, os judeus começaram a identificar-se, com mais intensidade, com Sião. Na luxuriante e soberba Babilônia, eles lembravam-se desse nome e derramavam muitas lágrimas. Nos tempos modernos, foi criado um movimento, visando à criação do Estado de Israel, cujo nome é Sionismo. Essa designação reflete bem o amor dos judeus por sua terra. A Igreja de Cristo é considerada a Sião Celestial, repleta de justiça e habitada por homens, mulheres e crianças comprados pelo sangue do Cordeiro.

Monte Moriá -  O que significa Moriá? O professor Zev Vilnay, citado por Enéas Tognini, explica: "Os sábios de Israel perguntaram: - 'Por que este monte se chama Moriá?' - Porque vem da palavra 'Mora', que, em hebraico, significa temor. Desta montanha o temor de Deus percorreu a terra toda. Outra versão diz que vem de 'ora', que quer dizer luz, pois quando o Todo-poderoso ordenou: 'Haja luz', foi do Moriá que pela primeira vez brilhou a luz sobre a humanidade." Moriá é, também, sinônimo de sacrifício e abnegação. Nesse monte, o patriarca Abraão passou a maior prova de sua vida espiritual. Desafiado por Deus, preparava-se para sacrificar seu único filho Isaque, quando ouviu este brado: "Abraão, Abraão! E ele disse: Eis-me aqui. Então disse-lhe o anjo do Senhor: Não estendas a mão contra o moço, e não lhe faças nada; porquanto agora sei que temes a Deus, e não me negaste o teu filho, o teu único" (Gn 22.11,12). No tempo de Abraão, Moriá não designava propriamente um monte, mas uma região. Mil anos após a era patriarcal, Salomão construiu o Templo nessa elevação. A Casa do Senhor, entretanto, foi destruída por Nabucodonozor, em 587 a.C. reconstruída no tempo de Esdras e Neemias, foi novamente destruída pelo general Tito, no ano 70 de nossa era. Atualmente, sobre esse monte, encontra-se a Mesquita de Ornar, um dos lugares mais sagrados para os muçulmanos. Hoje, Moriá poderia ser chamado "Montanha das Lágrimas". Do Templo, restou apenas uma muralha na qual judeus de todo o mundo choram seu exílio e suas amarguras. O Muro das Lamentações é o último resquício da glória passada de Israel.

Monte das Oliveiras - O Monte das Oliveiras situa-se no setor oriental de Jerusalém. O Vale do Cedrom separa-o do monte Moriá. Na parte ocidental do Monte das Oliveiras, fica o Jardim do Getsêmani. Nos dias do Antigo Testamento, essa sagrada elevação era coberta de oliveiras, vinhedos, figueiras e uma série de outras árvores frutíferas e ornamentais. A fertilidade dessa região é proverbial e secular, haja vista que, depois do exílio babilônico, a Festa dos Tabernáculos foi realizada com os ramos das árvores do Olivete. No Jardim do Getsêmani, Jesus enfrentou um dos mais dolorosos momentos de seu ministério. Envolto na sombra da noite, clamou. Pressionado pelos nossos pecados, chorou. Ali, seu corpo foi esmagado por causa das nossas transgressões.

Monte da Tentação  - Logo após o seu batismo, foi Jesus levado a um monte, onde passou 40 dias. Em completo jejum por 40 dias, foi tentado pelo Diabo; teve fome depois de terminar o jejum e sofreu a solidão. Essa elevação, que serviu de claustro ao Salvador, é conhecida como o monte da Tentação. Distante 20 quilômetros a leste de Jerusalém, esse monte fica a quase 1000 metros acima do nível do mar. Sua altura, contudo, não ultrapassa a 300 metros, por encontrar-se no profundo terreno do vale do Jordão. Caracterizado por muita aridez, possui inúmeras cavernas, onde os monges refugiam-se para meditar. Na realidade, as Sagradas Escrituras não declinam o nome do monte onde o Senhor foi tentado. Entretanto, o Monte da Tentação é o único que corresponde ao cenário onde Cristo travou uma de suas mais decisivas batalhas. 

B- Montes de Efraim

A região montanhosa de Efraim abrange a área ocupada pelos efraimitas, pela metade dos manassitas e por uma parcela dos benjamitas. Conhecemos essa área, também por estes nomes: monte de Naftali, monte de Israel e monte de Samaria. Essa área é classificada, geograficamente, como Planalto Central. Eis os mais importantes montes de Efraim: Ebal e Gerizim. Sobre ambos os montes, foram pronunciadas as maldições e as bênçãos sobre os filhos de Israel. Ambas as elevações, testemunham os visitantes, formam um anfiteatro, com perfeita acústica.

Monte Ebal - Do Ebal foram pronunciadas as maldições. Jotão proclamou seu célebre apólogo do cume desse monte. E, dessa engenhosa maneira, incitou Israel a lutar contra o usurpador Alimeleque. Tanto o Ebal, como o Gerizim, ocupam posição estratégica. Para se alcançar qualquer parte da Terra Santa, há de se passar, necessariamente, por ambos os montes "Ebal" significa, em hebraico, pedra.

Monte Gerizim - Ao contrário do Ebal, o monte Gerizim é coberto por reconfortante vegetação. Nesse monte, foram abertas muitas cisternas para captar águas da chuva. Após o exílio babilônico, os samaritanos, instigados por Sambalá, construíram um templo sobre o Gerizim. Visavam tirar a glória do Templo reconstruído por Esdras e Neemias. Continua sendo o lugar de adoração dos samaritanos. Segundo dizem, foi nesse monte que Abraão pagou o dízimo a Melquisedeque.

C - Montes de Naftali

Essa designação diz respeito a todo o conjunto montanhoso do Norte da Terra Santa. Abrange a região da Galiléia. Quando da conquista de Canaã, esse território foi destinado às tribos de Aser, Zebulom, Issacar e Naftali. Os naftalitas ficaram com uma área mais extensa. Em virtude disso, essas terras passaram a ser conhecidas como Naftali. Eis os quatro mais importantes montes dessa região: Carmelo, Tabor, Gilboa e Hatim.

Monte Carmelo - Travou-se no Carmelo um dos mais renhidos combates entre a fé e a idolatria. Cheio do Espírito Santo, Elias desafiou várias centenas de profetas de Baal. A vitória, é claro, coube ao profeta do Senhor. Esse monte, em virtude dessa confrontação, é símbolo de prova e fogo. O Carmelo não é propriamente um monte. Faz parte, na realidade, de uma cordilheira de 30 quilômetros de comprimento. Sua largura oscila entre 5 a 13 quilômetros, a começar do Mediterrâneo em direção ao Sudeste do território israelita. O ponto mais elevado dessa serra não atinge 600 metros. O duelo de Elias com os falsos profetas deu-se exatamente no cume do monte Carmelo. No lado Norte dessa cordilheira, passa o rio Quisom, onde os vassalos de Baal foram exterminados. Oswaldo Ronis acrescenta-nos mais alguns detalhes acerca do Carmelo: "Este é o único monte que se destaca do planalto central na direção oeste, formando um promontório ao sul da planície do Acre (Accho ou Asher) e é a única parte do território da palestina que avança mar Mediterrâneo adentro, formando, ao Norte, a baía do Acre onde se localiza a cidade de Haifa. Note-se que este monte ou serra forma uma barreira entre as planícies Esdraelom, ao norte e Sarom ao sul, apresentando em seus flancos inúmeras cavernas que, pela sua conformação interna, parece (algumas) terem sido habitadas.  Uma delas é conhecida como a 'Gruta de Elias' , que hoje é um santuário muçulmano."

Monte Tabor - Localizado também na Galiléia, o Tabor tem 320 metros de altura. Trata-se de um monte solitário, plantado na luxuriante Esdraelom. Visto do Sul, lembra-nos um se- micírculo. Dista a apenas 10 quilômetros de Nazaré e a 16 do mar da Galiléia. Situa-se a 615 metros acima do nível do Mar Mediterrâneo. De seu cume podem-se avistar magníficas paisagens. A alma poética dos hebreus embevecia-se com os maravilhosos quadros vislumbrados desse monte. O Tabor, por esse motivo, era comparado ao monte Hermom. O Tabor é muito importante no Antigo Testamento. Em suas cercanias, os exércitos de Débora e Baraque combateram as forças de Sísera. Mais tarde, Gideão, nessa mesma área, colocou em fuga os batalhões dos midianitas. Nos dias de Oséias, foi construído um santuário pagão sobre o monte Tabor, contra o qual clamou o santo profeta: "Ouvi isto, ó sacerdotes, e escutai, ó casa de Israel, e escutai, ó casa do rei, porque a vós pertence este juízo, visto que fostes um laço para Mizpá, e rede estendida sobre o Tabor" (Os 5.1). Tempos mais tarde, foi construída uma cidade no topo desse monte. Em 218 a.C., Antíoco a conquistou e transformou-a em uma fortaleza. O Tabor seria cenário, ainda, de vários conflitos entre romanos e judeus. O historiador Flávio Josefo, por exemplo, fortificou uma determinada área desse monte. Dessas fortificações, sobraram, somente, trechos de um muro. A partir do Século III de nossa era, renomados teólogos começaram a ventilar esta hipótese: A transfiguração do Cristo deu-se no Monte Tabor. Visando perenizar esse importantíssimo momento da vida terrestre de Jesus, a mãe de Constantino Magno, Helena, ordenou fossem construídos três santuários: um para Jesus, e os outros dois para Moisés (representante da Lei) e Elias (representante dos profetas). Hoje, todavia, acredita-se que a transfiguração ocorreu nas encostas sulinas do monte Hermom. O Tabor, atualmente, é chamado de Jabal al-Tur pelos árabes. Os israelenses continuam a tratá-lo de Har Tãbhôr.

 Monte Gilboa - Com 13 quilômetros de comprimento e com uma largura que varia entre 5 a 8 quilômetros, o Monte Gilboa está localizado no Sudeste da planície de Jezreel. Sua forma é alongada. Situa-se a 543 metros de altitude. Em Gilboa, que significa fonte borbulhante em hebraico, morreram o rei Saul e seu filho Jônatas, quando combatiam os incircuncisos filisteus. A fatalidade inspirou este cântico davídico: "Vós, montes de Gilboa, nem orvalho, nem chuva caia sobre vós, nem sobre vós, campos de ofertas alçadas, pois aí desprezivelmente foi profanado o escudo dos valentes, o escudo de Saul, como se não fora ungido com óleo" (2 Sm 1.21). As colinas do Gilboa são conhecidas, hodiernamente, como Jebel Fukua.

Monte Hatim - Localizado nas proximidades do mar da Galiléia, o monte Hatim compõe o chamado Cornos de Hatim. Sua altitude não ultrapassa os 180 metros. É um lugar bastante atrativo. De seu topo, pode-se avistar o Mar da Galiléia. Seus dois picos principais têm a aparência de chifres. Acredita-se ter sido esse o monte, do qual Cristo pronunciou o célebre Sermão da Montanha. O Hatim é conhecido, de igual modo, como o Monte das bem-aventuranças. 


3.4.2 Montes Transjornanianos

Os montes transjordanianos são conhecidos, também, como Montes do Planalto. Eis as suas principais elevações: Gileade, Basam, Pisga e Peor

Monte de Gileade - Trata-se de um conjunto montanhoso. Vai do Sul do Rio Yarmuque ao mar Morto. Gileade é dividido pelo Ribeiro de Jaboque, onde Jacó lutou com o Anjo do Senhor. Essa foi a primeira região conquistada pelos israelitas e coube à tribo de Gade. O profeta Elias é originário dessa terra. No tempo de Jesus, esse território era conhecido como Peréia. O nome dessa localidade surgiu com o encontro entre Jacó e Labão. Designou-a, o primeiro, assim: Jegar-Saaduta. E, o segundo, Galeed. Ambas as nomenclaturas significam montão do testemunho. Essa região, na antiguidade, era famosa pela sua fertilidade. De seu solo, explodiam o trigo, cevada, oliveira e legume. O seu bálsamo era procuradíssimo. Hoje, esse território está em poder da Jordânia. Para os judeus ortodoxos, entretanto, Gileade é a eterna possessão dos filhos de Israel. 

Monte de Basam - Basam é um dilatado e fertilíssimo conjunto de montanhas. Ao norte, limita-se com o monte Hermom. Ao leste, com a região desértica da Síria e da Arábia. A Oeste, com o Jordão e o mar da Galiléia. E, ao sul, com o Vale do Yarmuque. Assim refere-se Davi a esse monte: "O monte de Deus é como o monte de Basam, um monte elevado como o monte de Basam" (Sl 68.15). As terras do Basam, por causa de sua fertilidade, constituem-se um celeiro para Síria e o Estado de Israel. Na era veterotestamentária, essa região estava coberta de cedros e carvalhos. E, em suas viscejantes pastagens, eram apascentados numerosos rebanhos. Nos dias de Abraão, o monte de Basam era habitado pelos temidos refains, um povo constituído de homens de elevada estatura. O último soberano dessa nação foi executado pelos israelitas. Trata-se de Ogue, cuja cama media aproximadamente quatro metros de comprimento e quase dois de largura. Essa área foi destinada, por Moisés, aos manassitas. 

Monte Fisga - Do cimo do monte Pisga, contemplou Moisés a Terra Prometida: "Então subiu Moisés das campinas de Moabe ao Monte Nebo, ao cume de Pisga, que está defronte de Jericó; e o Senhor mostrou-lhe toda a terra, desde Gileade até Dã. Assim morreu ali Moisés, servo do Senhor, na terra de Moabe, conforme o dito do Senhor" (Dt 34.1 e 6). O Pisga está localizado na planície de Moabe. Dista 15 quilômetros do Leste da foz do rio Jordão. Moisés vislumbrou o solo da promissão de uma altura de 800 metros. O monte Pisga é conhecido, também, como Nebo. Alguns autores, contudo, dizem haver, nessa região, dois montes: o Pisga e o Nebo. 

Monte Peor - O monte Peor está localizado nas imediações do Nebo. Em hebraico, "Peor" significa abertura. Nesse monte era adorado o imoral Baal-Peor. Do monte Peor, tentou Balaão amaldiçoar os filhos de Israel. No entanto, seus esforços foram em vão. Como último recurso para prejudicar a marcha dos israelitas, induziu-os a participar das sensuais cerimônias de adoração de Baal-Peor. Não fosse a ação pronta e enérgica de Moisés, os hebreus teriam se corrompido completamente. Desse lamentável episódio, falaria mais tarde o grande legislador: "Os vossos olhos têm visto o que Deus fez por causa de Baal-Peor: pois a todo o homem que seguiu a Baal-Peor o Senhor teu Deus consumiu no meio de ti" (Dt 4.3).  

3.4.3 - Monte Sinai
O Sinai constitui-se de uma península montanhosa, localizada entre os golfos de Suez e Acaba. Nessa região, Deus apareceu a Moisés e o comissionou a libertar Israel do jugo faraônico. Da sarça ardente, clamou o grande Jeová: "Eu sou o que sou". Em frente a esse monte, ficaram os israelitas acampados por quase um ano. Nesse santo lugar, o Senhor entregou a Lei aos filhos de Israel (Êx 19 e Nm 10). Conhecido também como Horebe, o monte Sinai serviu de refúgio a Elias. Nele, o profeta, o ardente profeta de Jeová, pôde esconder-se da perversa Jezabel. "Sinai", segundo os exegetas, significa sarça ardente, fendido ou rachado. Dizem alguns ser esse nome uma evocação a Sin, deusa da Lua. Nas Sagradas Escrituras, esse monte recebe três diferentes designações: Monte Sinai. Horebe e Monte de Deus. Essa sagrada elevação tem uma forma triangular. Seus vértices superiores repousam nos territórios asiático e africano. Ao Leste, é banhada pelo Golfo de Acaba. Ao Ocidente, pelo Golfo de Suez. A área da Península do Sinai mede 35.000-. Nessa região, podemos encontrar três zonas geológicas: Cretácea, Arenística e Granítica. Apesar de aridificado, esse território tem os seus encantos particulares. Os montes erguem-se soberanos e altivos. Queimadas pelo Sol, as areias mostram-se multicolo-ridas. A vegetação é sobremodo escassa, tornando a sobrevivência humana praticamente impossível. Os oásis são uma raridade. Em alguns locais, contudo, vislumbram-se verdes vales, em virtude da água, que provém da neve de alguns altos picos. Nesses lugares, os anacoretas encontram repouso e silêncio para a sua meditação. O Sinai pertencia ao Egito. No entanto, na Guerra dos Seis Dias, em 1967, Israel capturou toda essa região. Segundo a Palavra de Deus, a região do Sinai pertence, de fato, aos israelitas.    

3.5 Desertos da Terra Santa 

Nas Sagradas Escrituras, de acordo com o Novo Dicionário da Bíblia, os vocábulos traduzidos como "deserto" incluem não somente os desertos estéreis de dunas, de areia ou de rocha, que surgem e dão cor à imaginação popular, mas igualmente designam terras plainas de estepes e terras de pastagem, apropriada á criação de gado. O vocábulo "deserto" pode ser encontrado 36 vezes como adjetivo e 284 como substantivo, no Antigo Testamento. -Já no Novo Testamento, a mesma palavra aparece 12 vezes como adjetivo e 36 como substantivo. A palavra hebraica mais traduzida como deserto é "midbar". Ela tem vários significados: região plana e apropriada à criação de gado; área meio fértil e meio árida: e deserto propriamente dito. Eis mais alguns termos hebraicos traduzidos como deserto: "yesimon" - território desértico; "orbáh" - aridez, desolação, ruína (castigo divino); "tohu" - vazio; "siyyah" - terra árida.
Atualmente, contudo, o termo deserto designa, segundo a Enciclopédia Mirador, regiões de escassas precipitações e nas quais a cobertura vegetal é praticamente nula ou, então, está reduzida a algumas plantas isoladas. Encontramos mais estas informações na Mirador: "A insuficiência das precipitações, quer sob o aspecto quantitativo, quer do ponto de vista de sua distribuição no decorrer do ano, é a característica mais importante das regiões secas. É difícil encontrar um limite numérico para especificar as regiões secas,* por causa da complexidade dos fatores atuantes. Tentou-se delimitar o Saara pelo isoketa de 10 mm e as regiões áridas pela de 250 mm. Mas tais cifras não possuem valor geral, porque a aridez e, principalmente, a semi-aridez se manifestam em regiões com 50 mm ou mais de precipitações, como o Nordeste brasileiro, que recebe, por vezes, quantidades superiores a 750 mm. Há uma graduação de aridez, que se estende desde os desertos quase absolutos, denominados de 'tonezrouft' no Saara, até os desertos relativos, localizados nas áreas limítrofes com as regiões úmidas. Além da deficiência das precipitações, é preciso lembrar a sua irregularidade, que se torna maior à medida que a região é mais árida. A presença de camadas de ar geralmente muito seco e sem nuvens, e o solo desnudo, cujo aquecimento aumenta a radiação (e, em consequência, provoca intensa evaporação), são as causas prin- cipais do déficit que caracteriza a aridez." Os principais desertos citados nas Sagradas Escrituras localizam-se no Sul e no Oriente de Israel. Agrupam-se os primeiros na Península do Sinai. Os outros, encontram-se nas outras regiões do país. Veremos, pois, como o povo de Deus conviveu com essas inóspitas áreas. 

I - DESERTO DO SINAI -  Os filhos de Israel caminharam no deserto durante quarenta anos. Nesse período, aprenderam a conviver com as agruras do Sinai. Não obstante a aridez daquele solo, nada lhes faltou. Supriu-lhes o Senhor todas as necessidades. Durante essas quatro décadas, os israelitas deixaram de ser um bando de escravos e transformaram-se em uma forte e robusta nação. O Deserto do Sinai recebe, ainda, estes nomes: Sur, Para, Cades, Zim e Berseba. Os geógrafos descrevem-no como um colossal deserto. Vai do Noroeste da península do mesmo nome ao golfo do Suez. Essa região constitui-se de um maciço montanhoso. Nesse lugar, recebeu Israel a lei de Moisés. 

II - DESERTO DA JUDÉIA -  As áreas localizadas do Leste dos montes de Judá ao rio Jordão e ao mar Morto formam o deserto da Judéia. Subdivide-se este em vários desertos sem importância: Maon, Zife e En-Gedi. Nessa árida região, perambulou Davi quando era perseguido pelo rei Saul. Eis mais alguns desertos de Judá: Tecoa e Jeruel. Nesse território, o rei Josafá obteve estrondosa vitória sobre as forças moabitas e amonitas. Nessa mesma região. o profeta Amos exerceu o seu ministério e João Batista clamou contra seus reticentes contemporâneos. 

III - DESERTOS DE JERICÓ, BETE-ÁVEN E GA-BAOM -  O deserto de Jericó fica no território benjamita. Esse desolado território forma, segundo descreve o pastor Tognini, um longo desfiladeiro rochoso de cerca de 15 quilômetros que desce de Jerusalém a Jericó. Nessa área, há muitas cavernas, nas quais escondem-se malfeitores. Essa região serviu de cenário para a Parábola do Bom Samaritano, contada por Jesus Cristo. Bete-Áven e Gabaom são outros importantes desertos de Jericó. Em Gabaom, por exemplo, obteve Josué importante vitória sobre os inimigos dos israelitas.  

ISRAEL VENCE OS DESERTOS
Cinquenta por cento das terras israelenses compõem o Deserto do Neguev. No entanto, o moderno Estado de Israel está vencendo a aridez de seus desertos e transformando-os em uns vergéis. O pastor Abraão de Almeida compendia estas informações acerca do reflorescimento das áreas desérticas da Terra Santa: "Os progressos obtidos por Israel na transformação do Neguev em um jardim regado são, de fato, impressionantes. Desde o início da década de 80 vêm sendo aplicados mais de três bilhões de dólares na construção de estradas, aquedutos e linhas de comunicação, a fim de abrigar novas instalações militares e cerca de uma centena de novos povoados agrícolas. E a chave para toda essa revitalização do deserto reside no aumento das fontes hidrológicas. Há inclusive, um projeto arrojado, que objetiva conduzir mais que um bilhão de toneladas de água por ano do Mediterrâneo para o mar Morto, através de um canal cortando o Neguev. Esse grande canal levaria água fresca à indústria local e água dessalinada aos agricultores, além de resolver um sério problema: a alarmante evaporação das águas do mar Morto, que pode mesmo morrer, se providências sérias não forem tomadas."     

3.6 Hidrografia da Terra Santa 
Como já dissemos, 50 % do território israelense são compostos, apenas, pelo Deserto do Neguev. A água, por causa disso, constitui-se em questão vital para o Estado de Israel. Os escassos cursos de água são muito bem aproveitados. A insuficiência hídrica, entretanto, parece estrangular o desenvolvimento econômico e demográfico desse jovem país do Médio Oriente. Não fosse o eficiente sistema de irrigação israelense, os 5.000 km de campos aráveis forneceriam uma produção tão exígua que não daria, sequer, para o consumo interno. Essa área, apesar de parecer, hoje, um jardim, recebe pouquíssimos benefícios das chuvas. Além disso, o seu índice de evaporação é bastante elevado. Na realidade, o verdadeiro potencial agrícola de Israel é composto por menos de 2.000 km   de terras intensivamente irrigadas. Nos últimos anos. os israelenses têm intensificado a irrigação de seu território. Um autor especializado em assuntos do Oriente Médio escreve: "A produtividade das terras só podem melhorar caso haja maior aproveitamento dos recursos hídricos. Como estes não admitem ampliação, a única solução para elevar a produtividade do solo de Israel - ou pelo menos conservar o nível alcançado - é fornecer menos água para as terras já irrigadas, liberando, desta forma, recursos para a irrigação de novas áreas." A vida em Israel, por conseguinte, não seria possível sem sua hidrografia. Em todos os momentos de sua história, os hebreus sempre mostraram-se preocupados com os seus parcos recursos hídricos. Não obstante, têm sabido superar essas barreiras de maneira maravilhosa.
Antes de estudarmos os mares, rios e lagos da Terra Santa, vejamos o que é, realmente, hidrografia. Etimologicamente, a palavra hidrografia é formada por dois vocábulos gregos: "hidro" - água; e, "graphein" descrever. A hidrografia, portanto, é a ciência que estuda todos os corpos de água que há na superfície do Globo. São objetos de seu estudo, pois, os oceanos, mares, rios, lagos e geleiras. Ela detém-se. ainda, nas propriedades físicas e químicas das águas. A hidrografia encarrega-se, também, de elaborar cartas referentes às bacias fluviais, leitos de rios e lagos e fundos de mares e oceanos.

a)    MARES DA TERRA SANTA
 A hidrografia de Israel é composta por três mares: Mediterrâneo, Morto e da Galiléia. Este último, conforme veremos mais adiante, não é propriamente um mar. Entre os hebreus, segundo explicação de Orlando Boyer, "mar" compreendia qualquer grande massa de água. Eles consideravam-no criação do Senhor: "Do Senhor é a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam. Porque ele a fundou sobre os mares, e a firmou sobre os rios" (SI 24.1,2)
Tecnicamente, o mar pode ser definido, de conformidade com Aurélio, como a massa de águas salgadas do globo terrestre: cada uma das porções em que está dividido o oceano; e, grande massa de água salgada situada no interior dum continente. 

1 - Mar Mediterrâneo
O Mediterrâneo aparece nas Sagradas Escrituras com outros nomes: Mar Grande, Mar Ocidental, Mar dos Filisteus, Mar de Jata. Biblicamente, ele é tratado simplesmente de o Mar. Através desse mar, Salomão recebeu os valiosos cedros do Líbano, para a construção do Templo. Em suas águas foi Jonas lançado, quando fugia da presença do Senhor. Ao contrário do profeta engolido pelo grande peixe, Paulo utilizou-se do Grande Mar para universalizar o Evangelho. 

2 - Mar Morto
O mar morto não é assim designado nas Sagradas Escrituras. Em virtude da imensa quantidade de sal existente em suas águas, é chamado de mar Salgado pelos escritores bíblicos. No livro de Josué, deparamo-nos com este registro: "Pararam-se as águas que vinham de cima; Levantaram-se um montão, mui longe da cidade de Adã, que está da banda de Sartã; e as que desciam ao mar das campinas, que é o mar Salgado, faltavam de todo e separaram-se: então passou o povo defronte a Jericó" (Js 3.16). Há, calcula-se, 25 por cento de sal nas águas do mar Morto. Suas águas, por conseguinte, são demasiadamente densas. É quase impossível mergulhar ou afogar-se nesse estranho mar. o mar do Sal ocupa uma área de 1.020 km. Na região ocupada hoje pelo Mar Morto, ficavam, provavelmente, as impenitentes cidades de Sodoma e Gomorra, destruídas pelo Todo-poderoso. Nessas águas salgadas, não há qualquer espécie de vida. Esse mar, por conseguinte, é o próprio símbolo da consequência do pecado: a morte. O Estado de Israel, entretanto, extrai do mar Morto bilhões de dólares em sal e minérios. A riqueza desse inusitado lago é mais que formidável: 22 trilhões de toneladas de cloreto de magnésio; 11 trilhões de toneladas de cloreto de sódio; 7 trilhões de toneladas de cloreto de cálcio; 2 trilhões de toneladas de cloreto de potássio e 1 trilhão de toneladas de brometo de magnésio. Essas cifras foram extraídas do livro "Geografia da Terra Santa", de Enéas Tognini. O mar Morto, tendo em vista a sua singular posição geográfica, não tem nenhum escoadouro para suas águas. Esse problema é solucionado pela descomunal evaporação. Aproximadamente 8 milhões de toneladas de água são evaporadas por dia nessa região, onde a temperatura, no verão, chega a 50º. Em algumas épocas do ano, esse lago chega a lembrar um gigantesco tacho em ebulição. Nas proximidades do mar Morto, ficava a Fortaleza de Maquerus, construída por Alexandre Janeu, no ano 88 a.C.. e arrasada pelos romanos em 56 a.C. Herodes. o Grande, reconstruiu-a mais tarde. Nela, foi supliciado o precursor do Messias, o piedoso João Batista. Herodes mandou construir, ainda, na margem ocidental dessa imensa fossa salgada, a cidadela de Massada, último reduto da resistência judaica ao domínio romano. Ao Norte, encontramos as ruínas da comunidade essênia, onde foram encontrados os famosos manuscritos do mar Morto. 

3 - Mar da Galiléia
O mar da Galiléia não é propriamente um mar. Trata-se, na realidade, de um grande lago de água doce, formado pelo rio Jordão. No Novo Testamento, recebe os seguintes nomes: mar de Quinerete, mar de Tiberíades e lago de Ge-nezaré. Por que então os judeus o tratam de mar? Por causa de seu tamanho e violentas borrascas que o agitam constantemente. O mar da Galiléia tem 24 quilômetros de comprimento por 14 de largura. Com uma profundidade média de 50 metros, encontra-se a quase 230 metros abaixo do nível do Mediterrâneo. Tendo em vista sua posição, serve de ponto de equilíbrio às águas do Jordão. O mar da Galiléia está distante do Mediterrâneo umas 27 milhas. E, de Jerusalém, 60 milhas em direção ao Nordeste. Em suas margens orientais, encontram-se altas montanhas. Já em seu lado ocidental, podemos contemplar férteis planícies e importantes cidades como Genezaré, Betsaida, Tiberíades, Cafarnaum, Corazim e Magdala. Nessa região, Jesus desenvolveu importantes facetas de seu ministério: ensinou, fez prodígios e maravilhas, repreendeu a fúria das águas e, com intrepidez, anunciou o Reino dos Céus. O Divino Mestre, inclusive, andou sobre as águas desse grande lago, causando pânico em seus discípulos. Ao Norte do mar da Galiléia, o clima é bastante agradável, propício ao desenvolvimento de grandes projetos agro-pecuários. Eis as impressões de W. J. Goldsmith: "Na Galiléia, vimos sete feições salientes: sua dependência do Líbano, abundância de água dele provenientes, fertilidade e fartura, características vulcânicas, grandes estradas atravessando a região, população densa e operosa, e a proximidade do mundo exterior. Pois bem: essas sete feições da Galiléia em geral, vemo-las concentradas no lago e suas margens. O lago da Galiléia era, efetivamente, o centro focai da província. Imaginemos aquela abundância de água, fertilidade, influência vulcânica, estradas, população numerosa, comércio, indústria e forte influência grega - imaginemos tudo isto reunido em um profundo vale, sob um calor quase tropical, e temos o cenário onde surgiu o cristianismo e onde o próprio Cristo trabalhou." No período neotestamentário, havia nove cidades em redor do mar da Galiléia, com uma população global de quase 150 mil habitantes. Acrescenta Goldsmith: "Betsai-da e Cafarnaum ficavam ao norte, atravessadas pela estrada galiléia de maior movimento, a Vila Maris, porém não podemos precisar-lhe o local. O sítio mais provável de Cafarnaum, onde Jesus morava e onde viu Mateus 'sentado na coletoria', é o que hoje se denomina Tel Hura." Com o seu formato oval, o mar da Galiléia é muito piscoso. Nesse lago, podemos encontrar 22 espécies de peixes, entre as quais: carpas, sardinhas, peixe-gato, peixe-galo e o famoso "chromis simonis", ou peixe de São Pedro. No tempo de Jesus, a pesca era uma rendosa indústria em Cafarnaum. George Adam Smith, descreve desta forma o maravilhoso lago de Israel: "Águas doces, cheias de peixes, uma superfície de cintilante azul. O lago da Galiléia é, ao mesmo tempo, comida, bebida e ar; um descanso para os olhos, um suavizante do calor e um refúgio do ruído e da multidão." 

4- Mar Vermelho
 Embora não pertença à Terra Santa, encontra-se o mar Vermelho estreitamente ligado à história do povo israelita. Ele é conhecido nas Sagradas Escrituras como "Yam Suph", que significa plantas marinhas. O mar Vermelho separa os territórios egípcio e saudita. Na parte setentrional, divide- se em dois braços pela península do Sinai, o braço ocidental é conhecido como golfo de Suez. O oriental, golfo de Akaba. Acerca do golfo de Suez, informa Buckland: "O golfo de Suez gradualmente se tem estreitado desde a era cristã (Is 11.15 e 19.5), secando-se a língua do mar Vermelho em uma distância de 50 milhas. Por isso vai-se tornando maior a dificuldade de determinar onde atravessaram os israelitas o mar Vermelho; mas provavelmente devia ter sido perto dos atuais lagos Amargos. A entrada do Golfo de Akaba estavam os dois únicos portos do mar Vermelho, mencionados na Bíblia: - Elate e Eziam-geber. A parte mais larga do mar Vermelho, até o sítio onde se tende em dois Golfos, é de 200 milhas, e a parte mais estreita é de 100 milhas, pouco mais ou menos. A largura do golfo de Suez é, em média, de 18 milhas, sendo a do golfo de Akaba consideravelmente menor, o primeiro comunica com o mar Mediterrâneo, pelo Canal de Suez. É provável que os israelitas tivessem atravessado o mar Vermelho, num ponto que fica cerca de 30 milhas ao norte da atual entrada do golfo do Suez, isto é, na extremidade setentrional do mar Vermelho, como ele então era. Como todo o exército egípcio pereceu nas águas, devia neste lugar o mar Vermelho ter tido pelo menos a largura de 12 milhas. O livramento dos israelitas, na travessia do mar Vermelho, tornou-se, no espírito da nação judaica, o maior fato da sua história." 

b)    RIOS DA TERRA SANTA

O que é um rio? Fomos obrigados a recorrer, uma vez mais, ao mestre Aurélio. Eis a sua definição: "Curso de água natural, de extensão mais ou menos considerável, que se desloca de um nível mais alto para outro mais baixo, aumentando progressivamente o seu volume até desaguar no mar, num lago, ou noutro rio, e cujas características dependem do relevo, do regime de águas, etc." O hebraico possui um número considerável de vocábulos que são constantemente usados. "Nahal" significa, segundo o Novo Dicionário da Bíblia, um wadi ou vale dotado de uma corrente de água; no verão, transforma-se num leito seco ou ravina, ainda que no inverno seja uma correnteza copiosa. Acrescenta o mesmo dicionário: "O segundo termo, 'nãhãr', é a palavra regular com o sentido de 'rio' na língua hebraica." 
            Quando da descoberta do Brasil, escreveu Pero Vaz de Caminha ao rei de Portugal: "As águas são muitas." Em Israel, no entanto, conforme já dissemos, os recursos hídricos são sobremaneira escassos. Dos rios existentes na Terra Santa, só o Jordão merece, de fato, esse nome. Os outros, no Brasil, por exemplo, seriam chamados de arroios e riachos. Vejamos, pois, como são os rios israelitas. Em primeiro lugar, estudaremos os que compõem a bacia do Mediterrâneo. Depois, os que formam a bacia do Jordão.

1 - Bacia do Mediterrâneo
A bacia do Mediterrâneo é composta pelos seguintes rios: Belus, Quisom, Cana, Gaás, Serec e Besor.

1.1  - Rio Belus -  Correndo ao sudoeste do território asserita, o rio Belus caminha em direção ao mar Mediterrâneo. Nas Sagradas Escrituras, ele aparece com o nome de Sior-Libnate, conforme lemos em Josué 19.26: "E Alameleque, e Amade, e Misal: e chega ao Carmelo para o ocidente, e a Sior-Libnate." As águas do Belus são despejadas na baía do Acre, nas proximidades da cidade de Acco. Durante dois terços do ano, esse rio permanece seco, constituindo-se em um dos numerosos wadis palestínicos. Hoje, esse rio é chamado de Namã pelos árabes e judeus.

 1.2  - Rio Quisom - O Quisom é o maior rio da bacia do Mediterrâneo e o segundo em importância de Israel. Chamam-no os árabes de Nahr Makutts. Nascendo em Esdraelom, recebe inúmeras vertentes durante o seu curso. Nas imediações do Tabor e do Pequeno Hermom, ele já é bem caudaloso. Nas proximidades do Quisom, ficava Tminate, onde morava Dalila, a meretriz filistéia que causou a desgraça de Sansâo. Esse rio deságua no Mediterrâneo, entre Jope e Ascalom. Ao contrário do Belus, o Quisom é perene, ou seja, suas águas não secam nem no verão.

1.3 - Rio Cana - O rio Cana é citado apenas no Antigo Testamento. Constituía-se em fronteira natural entre as Tribos de Efraim e Manassés. Nasce nas imediações de Siquém e atravessa a planície de Sarom. Como os anteriores, despeja suas águas no mar Mediterrâneo. Seu nome decorre do fato de ele correr nas proximidades da cidade de Cana de Efraim (não confundir com a localidade onde Cristo realizou o seu primeiro milagre). Na antigüidade, havia abundância de juncos em suas margens. Esse rio é, também, um wadi: só possui água nos meses chuvosos.

1.4         - Rio Gaás -  O destemido líder e bravo general hebreu, Josué, foi sepultado no monte Gaás. Perto dessa elevação, corre um rio, também chamado Gaás. Um rio? Não, um ribeiro! À semelhança dos outros wadis, só possui água em determinados períodos do ano. As águas do Rio Gaás banham a planície de Sarom e desembocam no mar Mediterrâneo, nas proximidades de Jope. "Gaás", em hebraico, significa terremoto.

1.5         - Rio Sorec  - O Sorec despeja suas águas no Grande Mar, entre Jope e Ascalom, ao Norte do antigo território filisteu. Suas nascentes ficam nas montanhas de Judá, a sudoeste de Jerusalém. No vale, por onde corre esse rio, morava a noiva de Sansão. Em suas redondezas, ficava o Vale de Sora, terra natal do profeta Samuel. Em hebraico, "Sorec" quer dizer vinha escolhida, em virtude dos vinhedos existentes nas margens desse rio.

1.6         - Rio Besor  - O Besor não é propriamente um rio, mas um ribeiro que fica nas imediações de Ziclaque, no Sul de Judá. É o mais caudaloso dos wadis que deságuam no mar Mediterrâneo. O atual nome desse rio é Sheriah. Nas redondezas de Besor, o bravo Davi libertou os habitantes de Ziclaque das garras dos amalequitas. Foi um dos maiores feitos do filho de Jessé e antecessor real de Jesus. Besor é sinônimo de refrigério.


2 - Bacia do Jordão
A bacia do Jordão é formada pelos seguintes rios: Jordão, Querite, Cedrom, Iarmuque, Jaboque e Arnom. Alguns desses afluentes são bastante pequenos, quase inex- pressivos. Vale a pena, porém, conhecê-los, pois estão intimamente ligados à história da salvação.

Rio Jordão - O rio Jordão tem três fontes: Banias, Dan e Hasbani. Elas não nascem em território israelense; começam a correr no monte Hermom, localizado na Síria. Em hebraico, "Jordão" significa declive ou o que desce, por causa de seu vertiginoso curso: do cume do Monte Hermom à mais profunda depressão do planeta - o mar Morto.    Apesar da sua importância histórica, o Jordão é um rio pequeno. Tem 252 quilômetros de extensão, levando-se em conta os seus infindos meandros. 
Havia, nos tempos bíblicos, grande floresta às margens do rio Jordão. Segundo depreendemos de alguns textos bíblicos, nesses frondosos bosques havia até leões. Hoje, porém, a região encontra-se desnuda e, praticamente, morta. Com muita dificuldade, consegue-se encontrar tamareiras, palmeiras e tamargueiras nessa aridificada área. Eis como o rio Jordão é mencionado pela primeira vez nas Sagradas Escrituras: "E levantou Ló os seus olhos, e viu toda a campina do Jordão, que era toda bem regada, antes de o Senhor ter destruído Sodoma e Gomorra, e era como o jardim do Senhor, como a terra do Egito quando se entra em Zoar. Então Lô escolheu para si toda a campina do Jordão, e partiu Ló para o Oriente, e apartaram-se um do outro" (Gn 13.10 e 11). Abraão, Isaque e Jacó tornaram-se íntimos do Jordão. As águas desse rio abriram-se para o povo de Deus conquistar Canaã. Mostrando-se perene e, resistindo a todas as intempéries, o Jordão sempre esteve ligado à história de Israel. Foi em seu leito que Naamã viu-se livre da lepra. Às margens do milenar Jordão, João Batista batizou o Filho de Deus. O Jordão não é um rio atraente. Do ponto de vista humano, Naamã tinha toda a razão em não querer banhar-se em suas escuras e barrentas águas. Afinal de contas, na terra natal desse corajoso general, havia cristalinos riachos. Não bastasse sua falta de beleza natural, nas imediações do Jordão, o clima é quente e sufocante. El-Seri-Ah al-Kabirah é o nome árabe do rio Jordão. Eis o seu significado: o grande bebedouro. Por que essa designação? Em virtude, talvez, do grande volume de águas que lança no mar Morto: 17.280.000 m por dia. O Jordão não é navegável, mas, serviu de área defensável a Israel durante vários séculos.

Rio Querite - Perseguido pela diabólica Jezabel, o profeta Elias recebeu do Senhor a seguinte ordem: "Vai-te daqui, e vira-te para o Oriente, e esconde-te junto ao ribeiro de Querite, que está diante do Jordão. E há de ser que beberás do ribeiro: e eu tenho ordenado aos corvos que ali te sustentem. Foi pois, e fez conforme a palavra do Senhor: porque foi, e habitou junto ao ribeiro de Querite, que está diante do Jordão" (1 Rs 17.3-5). O Querite, também não é propriamente um rio. Trata-se de mais um dos numerosos wadis existentes na Terra Santa. Para alguns autores, aliás, não passa de um filete de água que, a maior parte do ano constitui-se em um vale seco. Tendo sua nascente nos montes de Efraim, o Querite deságua no rio Jordão.

Rio Cedrom - O monte das Oliveiras é separado do Moriá por um rio. Eis o seu nome: Cedrom. Essa designação significa em hebraico escuro. Nascendo a dois quilômetros e meio de Jerusalém, corre para o sudoeste. Em seu curso, acompanha os muros da cidade Santa. Antes de lançar suas águas no mar Morto, vagueia durante 40 quilômetros. Pelo ribeiro do Cedrom passou o rei Davi, quando fugia de seu demagogo e ambicioso filho: "E toda a terra chorava a grandes vozes, passando todo o povo: também o rei passou o ribeiro de Cedrom, e passou todo o povo na direção do caminho do deserto" (2 Sm 15.23). Absalão desejava a morte de seu pai para reinar sobre Israel. Séculos mais tarde, Jesus, o maior descendente do rei Davi, passou por essa região: "Tendo Jesus dito isto, saiu com os seus discípulos para além do ribeiro de Cedrom, onde havia um horto, no qual ele entrou e seus discípulos" (Jo 18.1).

Rio Iarmuque - Constituindo-se no maior afluente oriental do Jordão, o rio Iarmuque é formado por três braços. Quando da conquista de Canaã, serviu de fronteira entre a tribo de Manasses e a região de Basã. Após escorregar-se pelos montes, o Iarmuque penetra no rio Jordão, a 200 metros abaixo do nível do mar. Esse rio não é mencionado nas Sagradas Escrituras. Os gregos o conhecem como Ieromax. Atualmente, é chamado de Sheriat-el-Man-jur.

Rio Jaboque - O Jaboque nasce ao sul da montanha de Gileade. Tributário oriental do Jordão, esse rio corre em três destintas direções: leste, norte e Noroeste. Antes de desembocar no Jordão, descreve, entre o mar da Galiléia e o mar Morto, uma semi-elipse. Seu curso tem aproximadamente 130 quilômetros. O rio Jaboque é perene e, no passado, servia de fronteira entre as tribos de Rubem e Gade. Em suas imediações, o patriarca Jacó lutou contra o Anjo do Senhor. Foi um combate acirrado. Mas, no final, o piedoso hebreu recebeu inefável bênção do Senhor. No Vale do Jaboque, portanto, a semente de Abraão recebeu sua designação nacional: Israel. Jaboque significa o que derrama. Os árabes, entretanto, chamam-no de Nahar ez- Zerka - rio azul.

Rio Arnom - Em 1868, o missionário alemão, F.A. Klein, encontrou em Dibom, nas imediações do rio Arnom, a famosa Pedra Moabita, que contém uma inscrição em hebraico e fenício. Essa escritura bilíngue confirma a historicidade do trecho bíblico de segundo Reis 3.4-27. A descoberta arqueológica de Klein mostra quão importante é o rio Arnom (que significa rápido e tumultuoso) para a história da Terra Santa. O rio Arnom nasce nos montes de Moabe e desemboca no mar Morto. Durante séculos, esse afluente serviu de fronteira natural entre os moabitas e amorreus. Mais tarde, com a conquista de Canaã, separou os israelitas dos moabitas. Isaías e Jeremias falaram acerca do Arnom. Profetizou o primeiro: "Doutro modo sucederá que serão as filhas de Moabe junto aos vaus de Arnom como o pássaro va-gueante, lançado fora do ninho" (Is 16.2). Atualmente, o Arnom é conhecido como Wadi el-Modjibe. Nas épocas de chuva, esse rio é volumoso. Entretanto, depois da primavera, começa a secar.
 
Lago de Merom

A palavra portuguesa lago vem do latim 'lacus' e significa reservatório de água. Esse termo latino, contudo, é oriundo deste vocábulo grego: "Lakkos" - fosso, poço. Geograficamente, os lagos são constituídos de grandes massas de água concentradas em depressões topográficas, cercadas de terra por todos os lados. Eles encontram-se, com mais frequência, em zonas de latitudes elevadas, mas, são universalmente distribuídos. No que tange às dimensões, não há uniformidade. Via de regra, os lagos são alimentados por riachos ou rios. O escoamento de suas águas é feito por meio de um ou mais emissários.
Encontramos apenas um lago na Terra Santa. Trata-se do Lago de Merom. O mar da Galiléia é também considerado um lago. No entanto, por causa de suas avantajadas dimensões, não é assim, classificado. O lago de Merom é conhecido, também como águas de Merom, conforme registra o livro de Josué: "Todos estes reis se ajuntaram, e vieram e se acamparam junto às águas de Merom, para pelejarem contra Israel. E disse o Senhor a Josué: Não temas diante deles; porque amanhã a esta mesma hora eu os darei todos feridos diante dos filhos de Israel; os seus cavalos jarretarás, e os seus carros queimarás a fogo. E Josué, e toda a gente de guerra com ele, veio apressadamente sobre eles às águas de Merom: e deram neles de repente" (Js 11.5-7). Formado pelas águas do Jordão, o lago de Merom tem 10 quilômetros de comprimento por seis de largura. Acha-se a dois metros acima do Mediterrâneo. Sua profundidade varia entre três e quatro metros. Hoje, esse lago perdeu sua antiga forma, porque foi adaptado pela engenharia às exigências do país. Merom fica a 20 quilômetros do mar da Galiléia.
  
3.7 Clima da Terra Santa
 
Apesar de suas dimensões territoriais, a Terra Santa apresenta uma impressionante variedade climática. Com muita razão ela é considerada a síntese meteorológica do mundo. Antes, porém, de estudarmos esse importantíssimo aspecto de Israel, daremos algumas noções elementares acerca do que convencionamos chamar de clima. "Clima" é uma palavra de origem grega, que significa inclinar, reclinar. Maximilien Sorre explica: "O clima é modernamente definido como a síntese do tempo ou o ambiente atmosférico constituído pela série de estados da atmosfera acima de um lugar, em sua sucessão habitual." Embasa-se o estudo do clima na observação dos vários tipos de tempo, apresentados de forma encadeada e rimada em determinado lugar. Deve-se levar em conta, também, a dependência dos movimentos executados pelas massas de ar e suas frentes. A Enciclopédia Mirador Internacional fala acerca da importância das variações climáticas: "O clima está de tal forma ligado ao mundo biológico do planeta, que a atual repartição geográfica das espécies animais e vegetais não pode ser bem compreendida sem o seu estudo; intervém ainda na formação dos solos, na decomposição das rochas, na elaboração das formas do relevo, no regime dos rios e das águas subterrâneas, no aproveitamento dos recursos econômicos, na natureza e ritmo das atividades agrícolas, nos tipos de cultivo praticados, nos sistemas de transportes e na própria distribuição dos homens sobre o globo. 
Israel, geograficamente, localiza-se na faixa subtropical. Explica-se, portanto, a variedade de seu clima. Genericamente, contudo, apenas duas estações sobressaem na Terra Santa: a chuvosa e a seca. Ambas são acompanhadas, respectivamente, com muito frio e calor. 

a)    MONTANHAS

Um país montanhoso, assim é Israel. Hebrom é o ponto mais elevado do território israelita, com mais de mil metros. Jerusalém, por seu turno, encontra-se a 800 metros de altura. Nas montanhas, o clima é fresco e bastante ventilado. No verão, esse quadro altera-se um pouco, em conseqüência das correntes de ar quente provenientes do Sul e do neves e frequentes geadas. No verão, os termômetros oscilam entre 14 e 29 graus.

b)    LITORAL
Encontrando-se ao ocidente do mar Mediterrâneo, Israel é bafejado por reconfortadoras e constantes brisas, rincipalmente, à noite. Durante o inverno, a temperatura baixa para menos de 14º em Gaza e Jafa. No pico do verão, os termômetros chegam a registrar 34?! Em algumas localidades situadas mais ao norte, o inverno torna-se insuportável. 

c)    DESERTO
De uma maneira geral, nos desertos de Israel, as temperaturas oscilam, no verão, entre 43º, 47º e 50º. Inclui-se, nessa classificação, o Vale do Jordão. 



VENTOS

As correntes de ventos que varrem o Oriente Médio encarregam-se da formação do clima da Terra Santa: as úmidas, do mar Mediterrâneo, as frias, dos montes do Norte; e as quentes, das regiões desérticas. Eis como os hebreus classificavam os ventos: Safon, portador de geadas; Quadim,
faz crescer a vegetação; O do Oeste encarrega-se das chuvas; e, Darom é mensageiro do calor. Há, também, uma corrente de ar proveniente da Arábia, cognominada Sirô. Esses ventos são tão quentes que chegam a queimar a lavoura. 

 ESTAÇÕES

Depreendemos de algumas passagens bíblicas que, no Oriente Médio, havia somente duas estações: inverno e verão. Diz o profeta Isaías: "Eles serão deixados juntos às aves dos montes e aos animais da terra e sobre eles veranearão as aves de rapina, e todos os animais da terra invernarão sobre eles" (Is 18.6). Começava o inverno em outubro e estendia-se até o mês de março. Nessa época, os montes cobriam-se de neve. O verão tinha o seu início em abril e ia até setembro. Os agricultores aproveitavam bem essa estação para colher e preparar a terra. 

CHUVAS

Ao contrário do Egito, as chuvas em Israel são abundantes. As primeiras chuvas começam em outubro e, constituem-se em fortes aguaceiros, notadamente, no litoral. Nas montanhas, as precipitações são fracas e finas. No deserto não chove. Alguns estudiosos, porém, acreditam que, no tempo de Herodes, o Grande, as chuvas não eram escassas nas regiões desérticas. Isto porque, ele construiu uma fortaleza em Massada com grandes cisternas, para captar água proveniente das chuvas. Eis a média das precipitações pluviais: 1090 mm por ano. O orvalho continua a cair na Terra Santa. Até mesmo as áreas desérticas recebem essa dádiva dos céus. O orvalho de Hermom, por exemplo, é proverbial.

3. 8 Cidades e Estradas

A)   Estradas e caminhos da Palestina

Na Palestina, tanto no Antigo como no Novo Testamento, havia dois tipos de estradas. O primeiro tipo é indicado pelas palavras orah e natib, que se referem a um caminho mais largo, mais regular, próprio para o trânsito de tropas com ou sem carro, tanto de guerra como comercial. Nem sempre o nome orah vem declarado; afirma-se, entretanto, que certos povos possuíam carros, de onde se conclui que esses carros transitavam certamente por orah, como podemos constatar de Gênesis 45.27; 46.5; Juízes 1.19; 19.18; 1Samuel 25.20; 2Samuel 6.6 e Atos 8.28-31. O segundo termo hebraico para designar caminho era derek; não propriamente um “atalho”, um “trilho”, mas um caminho batido pelos pés dos homens e dos animais, principalmente de camelos. Esse vocábulo aparece mais de 700 vezes na Bíblia. Derek pode ser simples caminho como em Salmos 119.105 e Isaías 36.2 etc., mas pode aparecer como derek ha-Melek, então trata-se de um caminho real como em Números 20.17 e 21.22.
Dentre os termos “estrada”, “caminho” e “vereda”, a palavra “caminho” é a que mais aparece na Bíblia. Estrada é larga e caminho é estreito. Mateus 7.13,14 estabelece a diferença. Israel estava plantado no mundo antigo entre as duas superpotências da época: Egito, no ocidente, e Mesopotâmia, no levante. Essas potências disputavam a hegemonia do mundo e lutavam. Israel era o caminho inevitável para as grandes disputas.      
            As estradas e os caminhos, além do significado bélico, constituem um meio de comunicação entre um povoado e outros, entre duas cidades, entre dois países, entre continentes. Com elas se estabelecia o intercâmbio espiritual, cultural e comercial entre os povos. Pela direção que tomavam e pelo curso que seguiam, as principais estradas de Israel eram:

Via Maris
No hebraico: Derek ha-Yam. Saía de Damasco e se dirigia a Tolemaida, no Mediterrâneo. Tolemaida ficava na primitiva tribo de Aser ao norte do monte Carmelo. Mais tarde, os romanos prepararam um grande porto em Cesareia, capital política do Império no Oriente Médio. Ficava ao sul do monte Carmelo, na tribo ocidental de Manassés.

Estrada do Centro     
            Eram na verdade duas estradas. Uma saía de Jerusalém e se dirigia para o sul, passando por Belém, chegava em Hebrom. Aqui se bifurcava: um ramal descia para Gaza e alcançava a estrada da Costa. Por aqui desceu o eunuco da Etiópia, evangelizado por Filipe (At 8.26-40). O outro ramal seguia para Berseba, chegando em Eilate. A outra Estrada do Centro saía também de Jerusalém e seguia para o norte, passando por Betel, Siquém, Citópolis (Bete-Seã), Cafarnaum, até encontrar-se com a Via Maris. Em Bete-Seã, cruzando o Jordão, unia-se à estrada do Leste. De Siquém, saía um ramal para Cesaréia, passando por El-Ganim. Esse caminho serpeava pelos montes. Jesus palmilhou essa estrada pelo menos três vezes (veja Jo 4.3,4,43; Lc 9.51-56; 17.11-19). Os judeus que iam a Jerusalém evitavam esse caminho devido à inimizade com os samaritanos. O Senhor Jesus, entretanto, ficou acima desse ódio racial.

Estrada da Costa
            Saía do Egito, de um dos pontos da fértil região do Delta. Seguia por uma região deserta, tanto como 120 km, e atingia o Mediterrâneo na altura de Gaza. Continuava, pela costa, até Ascalom, Jamia, Jope, Cesareia, Tolemaida, Tiro e terminava em Sidom. A primeira parte, entre Egito e Gaza, é chamada na Bíblia de “caminho da terra dos filisteus” (Êx 13.17). Era uma estrada preferencialmente militar. Por isso, Deus não permitiu que seu povo seguisse tal caminho. Nele estava a guerra. Ao chegar a Jope, um ramal deixava a estrada real e seguia pra Jerusalém, passando por Lida, onde se bifurcava: um caminho dava em Jerusalém, na porta de Damasco, passando por Bete-Horom e Gabaom, e outro chegava até a Porta de Jafá, em Jerusalém, passando por Emaús. Paulo, quando levado a Cesareia, passou pelo primeiro (At 23.31). Jesus acompanhou Cleopas e seu companheiro pelo segundo na tarde do primeiro dia da ressurreição (Lc 24.13-31).

Estrada do Leste
Saindo de Jerusalém, cruzava o vale de Cedrom, subia o monte das Oliveiras, chegava a Betânia. Descia para Jericó. Atravessava o Jordão, no passo natural na altura de Betânia de Além-Jordão. Subia os montes da Galaade, passava por Filadélfia (a primitiva Rabá de Amom) e continuava até Damasco, serpeando pela Decápolis. Em Filadélfia (Pereia do Novo Testamento), um ramal seguia para Gerasa, Pela, Betábara e, no sul do lago de Tiberíades, por um passo natural, atravessava o Jordão e penetrava na região da Galileia. Era o caminho perlustrado pelos judeus que iam da Galileia para Jerusalém. O Senhor Jesus palmilhou esse caminho inúmeras vezes. Foi também pela Estrada do Leste que Paulo e seus companheiros possivelmente seguiram para Damasco para perseguir os cristãos (At 9) e foi onde o apóstolo se encontrou com o Filho de Deus.

B)   Cidades
Multidões acompanhavam o Mestre pelas poentas estradas da Terra Santa. O vocábulo “multidão” no plural ou no singular aparece mais de 130 vezes        nos quatro evangelhos. Essas multidões não eram pequenas. Na primeira multiplicação de pães e peixes diz-se que cinco mil homens foram alimentados (Mc 6.44); sem dúvida alguma, houve outro tanto ou mais de mulheres e número maior de crianças. Em outras ocasiões maiores multidões seguiam o Senhor Jesus. De onde vinham essas multidões? Lucas 5.17 responde que procediam de “toda a Judeia”, de Jerusalém e de todo o litoral de Tiro e Sidom. Mateus 4.25 acrescenta: da Galileia, de Decápolis, de Jerusalém, Judeia e dalém do Jordão.
Será impossível descrever uma a uma as centenas de cidades palestinenses alinhadas na Bíblia. Algumas foram destruídas, outras abandonadas, outras soterradas e outras transformadas. Também não citaremos todos os nomes, pois essa seria uma tarefa para um dicionário bíblico. Descreveremos algumas, as mais importantes.

I – JERICÓ -  Localiza-se no Vale do Jordão, no território entregue à tribo Benjamim. Encontra-se a 28 quilômetros de Jerusalém. O nome dessa cidade significa, segundo alguns autores, lugar de perfumes ou fragrâncias. Jerico foi a primeira cidade conquistada pelos filhos de Israel. Era famosa por suas fortificações. É considerada, ainda, uma das metrópoles mais antigas do mundo.

 II – BELÉM -  Encontrando-se a 10 quilômetros a leste de Jerusalém, é a cidade do rei Davi. Casa de pão é o que significa Belém. Pela sua posição geográfica, é uma fortaleza natural. Fica a quase 800 metros acima do nível do mar. Nessa cidade nasceram dois importantíssimos personagens: Davi, e Jesus Cristo, o Salvador do mundo. Apesar de sua importância histórica, Belém foi sempre uma aldeia insignificante. Não obstante, seus campos, ainda hoje conservam a mesma fertilidade dos tempos bíblicos. 

III - HEBROM - Eis o primeiro nome dessa cidade: Quiriat Arba. Encontra-se a 32 quilômetros ao sul de Jerusalém e a mil metros acima do mar Mediterrâneo. Abraão morou em suas redondezas. Em Hebrom, foi Davi ungido rei sobre Israel. É tida, também, como a primeira cidade de Judá. Atualmente, Hebrom é uma grande cidade com mais de 40 mil habitantes, em sua maioria árabes. Eis suas principais fontes de renda: artesanatos, artefatos de cerâmica e pequenas indústrias. A agropecuária é, por enquanto, sem expressão. 

IV - JOPE - Na distribuição de Canaã, Jope coube à tribo de Dã. Atacada várias vezes pelos filisteus, a cidade foi libertada por Davi. Mais tarde, Salomão utilizou-se de seu porto para receber cedros do Líbano, usados na construção do Templo.

V - NAZARÉ - Situada em um grande monte, a 400 metros acima do nível do mar, Nazaré encontra- se a 170 quilômetros de Jerusalém. No tempo das chuvas, as encostas da cidade ficam recobertas por lindas flores. O nome dessa importante localidade significa florescer. Jesus Cristo foi criado nessa cidade. Por isso mesmo, Ele é chamado de Nazareno. Até 1948, Nazaré era controlada por muçulmanos. Mas, em 16 de julho de 1948, passou ao domínio dos israelenses.
 
VI - CAFARNAUM Cafarnaum foi escolhida por Jesus para ser o centro de seu ministério. Seu nome significa "aldeia de Naum". Em Cafarnaum, Jesus passou dezoito meses, realizando grandes milagres. Seus habitantes, entretanto, não receberam a mensagem de amor do Messias. E, conforme as palavras de Cristo, Cafarnaum desceu, de fato, até o inferno. Nunca mais foi edificada. 

VII - SAMARIA - A cidade, construída por Onri, pai de Acabe, encontra-se a 60 quilômetros ao Norte de Jerusalém. Situa-se a 400 metros acima do Mediterrâneo. Após o cisma israelita, Samaria passou a ser a capital do Reino de Israel. Para essa cidade, foram transportados, após o cativeiro israelita, povos estranhos que, juntamente com alguns hebreus, deram origem aos samaritanos. Mais tarde, estes causaram muitos embaraços a Esdras e a Neemias. No tempo de Jesus, ainda era grande a rivalidade entre as comunidades hebraica e samaritana. 

VIII - DECÁPOLIS - No grego, Decápolis significa "dez cidades". Esse agregamento estava situado em espaçoso território a leste do mar da Galiléia. As cidades foram construídas por gregos, na tentativa de helenizar a região. Sofreram, entretanto, grande oposição dos judeus, principalmente da família macabéia.



IX – Jerusalém - Jerusalém significa, em hebraico, habitação de paz. Seu nome é mencionado pela primeira vez na Bíblia em Josué 10.11. Entretanto em Gênesis 14.18 encontramos uma referência sobre a cidade, sob o nome de Salém. De acordo com a tradição, assim era chamada a capital judaica. Eis alguns outros nomes bíblicos de Jerusalém: Jebus (Jz;  19.10); Sião (Sl 87.2); Ariel (Is 29.1); Lareira de Deus (Is 1.26); Santa Cidade (Is 28.2; Mt 4.5); Cidade da Justiça (Is 1.26).
A história de Jerusalém possui mais de 3000 anos e no transcorrer desse longo tempo foi conhecida por vários nomes. Apesar de Jerusalém ser o nome mais comum e o que permanece até os dias atuais, destacamos ainda os nomes:
Urasalim – provavelmente seu nome mais antigo, contido nas cartas de Tel-el-Amarna, escritas por volta de 1400 a.C.
Salém – nome mais antigo que aparece nas Escrituras, em uso nos dias de Abraão (Gn 14.18)
Sião- esse é o nome de um dos montes da cidade.
Jebus – por ser a cidade dos jebuseus na época dos juízes (Jz. 19.10-11).
Cidade de Judá – por ser capital do Reino de Judá (Sul), bem como a principal cidade do Reino (II Cr. 25.28)
Aelia Capitolina – nome dado pelo imperador romano Adriano, que a reedificou em II d.C. Aelia em honra a Adriano, cujo o primeiro nome era Aelius e Capitolina por ter sido dedicado a Júpiter Capitolino, divindade suprema dos romanos.
El-Kuds – nome dado a Jerusalém pelos árabes, significando “Santa”.

Jerusalém sempre esteve ligada pelos quatro pontos cardeais a toda a Palestina (Israel) e aos países estrangeiros. Desde os tempos de Abraão já havia caminhos cruzando a Terra de Canaã em todas as direções. Tais informações podem ser verificadas em Juízes 1.19; I Reis 22.31; 35.38; II Reis 23.30; Atos 8.28  etc.
O aspecto geral da topografia da cidade ao tempo de Cristo apresentava a configuração de um trapézio irregular, de cordilheiras e vales, com elevações e depressões.



UNIDADE 4 – Geografia  Humana de Israel

4.1  - A FAMÍLIA HEBRAICA
 Para os hebreus, a família é de origem divina. E, de fato, o é. Disse o Senhor ao criar os primeiros representantes da raça humana: "Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra. E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou. E Deus os abençoou e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra" (Gn 2.26-28). A importância da família para o judeu é indiscutível. É considerada mais importante que o próprio indivíduo. Honoré de Balzac, a propósito, escreveu: "Por isso considero a Família e não o indivíduo o verdadeiro elemento social. Sob esse ponto de vista, arriscando ser olhado como um espírito retrógrado, tomo lugar ao lado de Bossuet e de Bonald, em vez de andar com os inovadores modernos." Henri Daniel-Rops ressalta o valor da unidade familiar em Israel: "Quando o jovem Jacó foi procurar seu tio Labão em Harã, a fim de encontrar trabalho e uma esposa; Labão, ao reconhecê-lo como membro de sua família, exclamou: 'É meu osso e minha carne'. Este símbolo, tão típico do estilo bíblico, era muito usado pelo povo do Livro, e correspondia à realidade. A família era em Israel a base vital da sociedade, a pedra fundamental de todo o edifício. Nos primeiros tempos ela formava até mesmo uma entidade separada sob o ponto de vista da Lei, uma parte da tribo; na época de Cristo era talvez mais frágil do que nos dias dos patriarcas, quando o indivíduo não tinha valor algum em comparação, mas era ainda muitíssimo importante. Os membros da família sentiam-se realmente como sendo da mesma carne e sangue; e ter o mesmo sangue significava ter a mesma alma. A legislação tomara este princípio como base, desenvolvendo-se a partir dele. A Lei multiplicara, também, suas ordens, a fim de manter a permanência, a pureza e a autoridade da família. Enquanto os judeus desejassem permanecer fiéis à Lei (e isto era quase universal) eles jamais deixariam de admitir o lugar predominante da família na sociedade." Prossegue Henri Daniel-Rops: "A família não era apenas uma entidade social, mas também uma comunidade religiosa, com suas festas particulares, em que o pai era o celebrante enquanto os demais membros participavam. Algumas das importantes cerimônias exigidas na Lei tinham um forte caráter familiar - a Páscoa, por exemplo, tinha de ser celebrada em família. O elo religioso familiar era tão vigoroso que nos evangelhos e no livro de Atos vemos que os pais que aceitavam os ensinamentos de Cristo levavam com eles a família inteira." 

1 – Casamento
 Os israelitas, no Antigo Testamento, nem sempre alcançavam o ideal traçado pelo Senhor. A monogamia, por exemplo, não era encarada com seriedade. Haja vista que homens piedosos como Abraão, Jacó e Davi, eram polígamos. O que dizer de Salomão? O mais sábio dos homens tinha 700 mulheres e 300 concubinas! A poligamia, entretanto, não era sinônimo de devassidão. Um hebreu não podia, por exemplo, tomar como esposa duas mulheres que fossem irmãs ou mãe e filha. Se tal ocorresse, os infratores seriam apedrejados. A lei proibia, também, que um homem dormisse com duas de suas esposas ao mesmo tempo. Com o exílio babilônico, no entanto, os israelitas foram curados da poligamia, que tantos males e transtornos causara em Israel. No Novo Testamento, não encontramos nenhum caso de poligamia. O Senhor Jesus exaltou, novamente, o ideal monogâmico e condenou, com energia, qualquer casamento fora desse padrão.  Em consequência da esterilidade de algumas esposas legítimas, a concubinagem era tolerada no período vetero-testamentário. Os ricos, porém, colecionavam concubinas. Salomão, como já dissemos, tinha 300. Moisés condenou o casamento misto: "Quando o Senhor teu Deus te tiver introduzido na terra, a qual vais a possuir, e tiver lançado fora muitas gentes de diante de ti, os heteus, e os girgaseus, e os amorreus, e os cananeus, e os ferezeus, e os heveus, e os jebuseus, sete gentes mais numerosas e mais poderosas do que tu; e o Senhor teu Deus as tiver dado diante de ti, para as ferir, totalmente as destruirás; não farás com elas concerto, nem terás piedade delas; nem te aparentarás com elas: não darás tuas filhas a seus filhos, e não tomaras suas filhas para teus filhos. Pois fariam desviar teus filhos de mim, para que servissem a outros deuses; e a ira do Senhor se acenderia contra vós, e depressa vos consumiria" (Dt 7.1-4). Havia ainda entre os hebreus o casamento por levira-to. Quando um homem casado morria sem deixar descendência, o seu irmão era obrigado a casar-se com a viúva. E por intermédio dos filhos da nova união, a memória do morto era preservada. Assim prescreve a Lei: "Quando alguns irmãos morarem juntos, e algum deles morrer, e não tiver filho, então a mulher do defunto não se casará com homem estranho de fora; seu cunhado entrará a ela, e a tomará por mulher, e fará obrigação de cunhado para com ela. E será que o primogênito que ela der à luz estará em nome de seu irmão defunto; para que o seu nome se não apague em Israel" (Dt 25.5,6). 

2             - Contrato de casamento
            O contrato de casamento em Israel era feito pelo pai do noivo, pelo irmão mais velho ou por um parente mais próximo. Excepcionalmente, podiam atuar também a mãe ou um amigo da família. Às vezes, o próprio rapaz encarregava-se da concretização do casamento. No entanto, as negociações sobre o dote e outras formalidades ficavam a cargo de terceiros. Antes da realização do matrimônio, eram feitas exaustivas consultas sobre os bens de ambos. Eram tomados cuidados especiais também quanto à segurança da noiva e ao enfraquecimento da tribo. Finalmente, o noivo pagava um dote ao pai de sua futura esposa, que oscilava entre 30 e 50 siclos de prata. Dessa forma, o pai da moça era recompensado pela perda da filha. Esse pagamento podia ser, também, em forma de trabalho, como ocorreu com Jacó. A endogamia, ou seja, o casamento entre irmãos, era proibida pela lei de Moisés. 

3      - Noivado
Entre os povos ocidentais, o noivado não tem qualquer consistência. Pode ser dissolvido com a maior facilidade. Jocosamente declara Leon Eliachar: "O Noivado é o período de desajustamento antes do casamento." No entanto, entre os hebreus, o noivado era um compromisso sério. Somente a morte poderia dissolvê-lo. - Quando começava o noivado? - A partir do momento em que o moço entregava à sua escolhida uma moeda com esta inscrição: "Seja consagrada a mim." A cerimônia, bastante singela, era feita na presença de duas ou mais testemunhas. Com essa solenidade, ambos eram considerados marido e mulher. Seu relacionamento sexual, porém, somente seria iniciado apôs as núpcias que, segundo a tradição judaica, variava de um mês a sete anos. Os rapazes, durante o noivado, estavam desobrigados do serviço militar.

4      - Núpcias
 As festas nupciais eram celebradas, via de regra, em sete dias. Não raro, chegavam a durar até duas semanas. Variavam de acordo com o poder aquisitivo dos noivos. Segundo o Novo Dicionário da Bíblia, essas celebrações eram assinaladas por música e por brincadeiras como o enigma apresentado por Sansão. A mesma obra esclarece-nos: "Alguns interpretam o livro de Cantares à luz de certo costume que havia entre os aldeões sírios, de chamar o noivo e o noiva de rei e rainha durante as festividades depois da cerimônia de casamento, e de louvá-los com cânticos". 

5      - Divórcio
O divórcio foi introduzido na Lei mosaica por causa da dura cerviz dos israelitas. Aproveitando-se da liberalidade dessa legislação, os hebreus rompiam os laços do matrimô- nio por quaisquer motivos. Alguns, por exemplo, repudiavam sua esposa por não achá-la graciosa. O Senhor, entretanto, não aprovava tal comportamento. Tolerava-o, apenas. Com uma carta de divórcio, concretizava-se o rompimento dos laços conjugais (I)t 24.3). De posse desse documento, a mulher podia contrair novas núpcias. Caso, porém, viesse a separar-se do segundo marido, não podia voltar ao primeiro. Por quê? Esclarece-nos Moisés: "Então seu primeiro marido, que a despediu não poderá tornar a tomá-la, para que seja sua mulher, depois que foi contaminada, pois é abominação perante o Senhor; assim não farás pecar a terra que o Senhor teu Deus te dá por herança" (Dt 24.4). Jesus, entretanto, repudiou completamente o divórcio, exceto em caso de adultério: "Moisés por causa da dureza dos vossos corações vos permitiu repudiar vossas mulheres; mas no princípio não foi assim. Eu vos digo, porém, que qualquer que repudiar sua mulher, não sendo por causa de prostituição, e casar com outra, comete adultério; e o que casar com a repudiada também comete adultério" (Mt 19.8 e 9). 

6      – Filhos
 Uma herança divina. Assim os hebreus consideravam os filhos, principalmente os homens, Salmodiou o rei Salomão: "Eis que os filhos são herança do Senhor, e o fruto do ventre o seu galardão. Como flechas na mão do valente, assim são os filhos da mocidade. Bem-aventurado o homem que enche deles a sua aliava: não serão confundidos, quando falarem com os seus inimigos" (SI 127.3-5). Em Israel, a esterilidade era considerada um opróbrio. Não poucas mulheres afligiam-se por não terem filhos. Raquel e Ana, por exemplo, rogaram a Deus, com todas as suas forças, o dom da maternidade. Para as hebréias, não havia privilégio tão grande como o de gerar filhos. O direito da primogenitura era respeitadíssimo entre os israelitas. Ao filho mais velho cabia a porção dobrada dos bens paternos. Com a morte do pai, assumia a responsabilidade da casa e as funções sacerdotais da família. Depois da promulgação mosaica, no entanto, o sacerdócio passou a ser exercido pelos levitas. As filhas apenas recebiam a herança paterna se não houvesse nenhum filho herdeiro. Elas eram sustentadas pelos irmãos que se encarregavam, inclusive, de seu casamento. As israelitas não podiam casar-se com moços de. outra tribo. Cabia ao pai, também, ensinar aos filhos as primeiras letras e uma profissão. A ociosidade não era tolerada na sociedade hebraica. 

4.2  - A VIDA SOCIAL HEBRAICA
A vida social dos hebreus girava em torno de sua religião. Todos os acontecimentos sociais lembravam-lhes quão presente estava o Todo-poderoso em seu meio. Ao contrário de outros povos, eles não admitiam extravagâncias nem libertinagens, em suas reuniões. Sua vida social, portanto, era um apêndice de sua religião. 

1- O lugar da mulher na sociedade hebraica
Os israelitas honravam suas mulheres. Concediam-lhes muitos direitos. Se prejudicadas, poderiam requerer justiça. Vemo-las muitas vezes louvadas, e ocupar, com frequência, lugares de honra e distinção. Débora, por exemplo, exerceu grande influência sobre os seus contemporâneos. Não fosse suas confortadoras palavras, Baraque não teria desbaratado os inimigos do povo de Deus. E, o que dizer de Sara, Rebeca, Raquel, Ana, Rute e Hulda? Submissas aos seus maridos, suas principais preocupações eram domésticas. Entretanto, podiam pastorear trabalhar a terra e exercer outras atividades, consideradas masculinas. Em outros países do Oriente, entretanto, a mulher era tratada como se tosse mero objeto. 

2 - Saudações
Inclinando o corpo um pouco para frente, com a mão direita sobre o lado esquerdo do peito. Assim era a saudação dos hebreus, julgada bastante prolongada para os ocidentais! Por isso mesmo ordenou Jesus aos seus discípulos: "...e a ninguém saudeis pelo caminho" (Lc 10.4). Perante os magistrados e outras pessoas superiores, era costume inclinar-se a pessoa até a terra. Eis as expressões mais usadas nas saudações hebraicas: "Paz!" "Paz seja convosco!" e, "Paz seja sobre esta casa!" 

3- Sepultamento e luto
 Constatado o óbito, o corpo era rigorosamente lavado e enrolado em lençóis impregnados de perfume. Por causa do clima quente (que provocava rápida decomposição do cadáver) e das exigências da lei mosaica, o sepultamento era feito no mesmo dia. O féretro era realizado desta forma: as carpideiras iam à frente, enchendo a cidade com os seus lamentos profissionais; atrás delas, o defunto, e, logo após, os parentes do falecido, os amigos e o povo. Os túmulos dos pobres eram cavados no chão. Os dos ricos, escavados nas rochas. Raramente usados, os esquifes eram quase desnecessários. O embalsamento não se constituía um hábito entre os israelitas. Jacó e José, a propósito, foram embalsamados no Egito, por profissionais da corte faraônica. Sete dias. Era o quanto durava o luto entre os filhos de Israel. 

4.3  - MORADIA
Na antigüidade, havia, em Israel, casas simples e, também, imponentes habitações. Tudo dependia, é claro, das posses de quem as possuía. Em Samaria, por exemplo, algumas residências eram feitas de marfim.

1 – Tendas
            Em Ur dos Caldeus, Abraão habitava em uma casa confortável que, segundo alguns estudiosos, possuía até água quente. Ao deixar sua cidade, passou a residir em tendas, a mais antiga forma de moradia no Médio Oriente. As tendas, primitivamente, eram feitas de peles de cabra. Com o passar dos séculos, no entanto, passaram a ser mais sofisticadas. Algumas delas, inclusive, possuíam várias dependências. O apóstolo Paulo era fabricante de tendas. 

2 - Cabanas
Construídas com estacas e cobertas de folhagens, eram usadas com frequência pelos israelitas. Pedro queria construir três cabanas: uma para Jesus, outra para Moisés e a terceira para Elias. 

3 – Tabernáculo
Foi o templo peregrino dos israelitas. Acompanhou-os durante seus 40 anos de jornada pelo deserto do Sinai. Nessa tenda, a glória do Senhor manifestava-se constante- mente a Moisés. Esse lugar de adoração seria substituído, mais tarde, pelo Templo, construído por volta do ano 1.000 a.C, pelo rei Salomão. Tabernáculo pode significar, também, habitação. 

4 - Casas
            Nos tempos bíblicos, as casas eram feitas de pedra, de tijolos e de madeira. Geralmente eram pequenas; possuíam apenas um cômodo. As residências dos ricos, entre- tanto, tinham vários compartimentos. Nas localidades mais quentes, os telhados eram planos e podiam ser transformados em terraços. No auge do verão, serviam de dormitório. Nas regiões mais frias, os telhados em forma de meia-água, facilitavam o deslizamento da neve. As portas das casas hebréias eram estreitas e baixas. As janelas, poucas e sem vidros.

5 - Torres de vigia
Com quase três metros de altura, as torres de vigia eram construídas para proteger os pomares e as lavouras. As provisórias eram feitas de madeira; as permanentes, de pedras. Estas últimas serviam, também, de residência. 

6- Palácios
Construídos com esmero, constituíam-se nas residências dos reis hebreus. O mais imponente deles foi erguido pelo rei Salomão. Segundo alguns estudiosos, a casa do sábio rei de Israel era mais suntuosa do que o Templo. 

4.4  - MOBÍLIA
Poucas eram as mobílias de uma casa hebreia. Além do leito, uma mesa baixa. As cadeiras raramente eram usadas, porque os hebreus, à semelhança dos outros orientais, sentavam-se no chão com as pernas cruzadas. Não raro, as almofadas serviam como assentos. Nas residências dos mais abastados, o mobiliário era sofisticado.
 
 4.5 -  ALIMENTAÇÃO
Basicamente, esta era a dieta alimentar dos hebreus no período bíblico: pão, azeite, vinho, legumes, frutas, leite, mel e farinha. E nas ocasiões festivas, a carne era largamente consumida. O peixe, por outro lado, era mais usado no litoral e nas imediações dos rios e do mar da Galiléia. A manteiga e o queijo eram feitos de leite de cabra. O leite de vaca era raramente usado. 

4.6  - INDUMENTÁRIA
A indumentária dos israelitas nos tempos bíblicos era confeccionada em algodão, lã, linho e seda. 

1 - Vestuário masculino
A principal peça do vestuário masculino constituía-se em uma túnica, tecida de algodão. Parecia mais uma camisola sem mangas. A túnica dos ricos, porém, possuía mangas compridas e largas. Os homens usavam, ainda, uma capa de algodão. O cinto era de couro. O bastão e o anel-sinete eram usados como ornamentos.  O turbante completava o vestuário masculino. O sumo sacerdote e os sacerdotes vestiam-se com mais esmero. Suas vestes tipificavam a glória e a santidade divina. Sob a dominação romana, os paramentos sacerdotais ficavam sob custódia e só eram liberados em ocasiões solenes. 

2 - Vestuário feminino
            As mulheres também usavam túnicas, só que mais longas e mais ornamentadas. Quando apareciam em público, cobriam o rosto com um véu. Elas apreciavam pulseiras, anéis, pendentes e diademas. As mais extravagantes, pintavam-se. Os profetas, contudo, condenavam esses excessos. De uma maneira geral, as hebreias eram elogiadas por sua modéstia e simplicidade. 

4.7 - DINHEIRO DA TERRA SANTA
            A primeira moeda citada nas Sagradas Escrituras é o darico. Proveniente da Pérsia, era muito usada nos tempos de Esdras e Neemias. Mais tarde, começou a ser cunhada uma moeda, inteiramente judaica, conhecida como shekel. Aliás, no início dos anos 80, o governo israelense adotou-a para a unidade monetária da moderna nação hebraica. Eis mais algumas moedas mencionadas na Bíblia:

Lepto (1/128 de um denário)
Moeda de cobre ou de bronze
Mt.12:42

Quadrante (1/64 de um denário)
Moeda romana de cobre
Mc.12.42

Asse (1/16 de um denário)
Moeda romana de cobre
Mt.10:29 - Centil

Drácma (Unidade básica)
Moeda grega de prata
Equivale a um denário
Lc.15:8

Denário (Unidade Básica)
Moeda romana de prata
Equivale a um Drácma
Mt.20:2

Didrácma
Moeda grega de prata
Equivale a 2 drácmas
Mt.17:24
Tetradrácma
Moeda grega de prata
Equivale a 4 drácmas
Mt.26:15

Estáter
Moeda grega de prata
Equivale a 4 drácmas
Mt.17:27

Mina
Moeda grega de ouro
Equivale a 100 denários
Lc.9:13

Talento
Moeda de prata ou ouro
Equivale a 6.000 denários
Mt.15:25


4.7  - CALENDÁRIO JUDEU

1 NISAN (ou ABIB) MARÇO - ABRIL
2 IYAR (ou ZIV) ABRIL - MAIO
3 SIVAN MAIO – JUNHO
4 TAMMUZ JUNHO – JULHO
5 AB JULHO – AGOSTO
6 LUL AGOSTO - SETEMBRO
7 TISRI(ou ETHANÍM) SETEMBRO – OUTUBRO
8 MARHESVAN(ou BUL) OUTUBRO – NOVEMBRO
9 CHISLEU(ou KISLEV) NOVEMBRO - DEZEMBRO
10 TEBET DEZEMBRO – JANEIRO
11 SHEBAT JANEIRO – FEVEREIRO
12 ADAR FEVEREIRO – MARÇO
13 VE-ADAR  - intercalado quando necessário


O erro do nosso calendário - o calendário atual
 O uso do calendário é tão antigo quanto a própria humanidade. Há calendários diversos. Nestas concisas e incompletas notas reportamo-nos unicamente ao calendário cristão, do qual, o calendário atual é continuação. Em 526 a.C, o imperador romano do Oriente, Justiniano I, decidiu organizar um calendário original, encarregando da tarefa o abade Dionysius Exiguus, o qual, em seus cálculos, cometeu um erro, fixando o ano 1 d.C. com um atraso de 5 anos. Daí dizer-se que Cristo nasceu 5 anos antes da Era Cristã, o que é um absurdo, se não houver explicação. Nossos livros apenas declaram a existência do erro, mas não o explicam. As datas atuais estão, portanto, atrasadas de 5 anos. Para termos datas mais ou menos exatas é preciso acrescentar-lhes 5 anos. É também oportuno dizer que o calendário atual chama-se Gregoriano, porque em 1582 o papa Gregório XIII alterou o calendário de Dionysius, subtraindo 10 dias (de- terminou que o dia 5 de outubro passasse a ser 15 do mesmo mês), a fim de corrigir a diferença advinda do acúmulo de certos minutos a partir de 46 a.C., quando César reformou o calendário de então. 4. O tempo e suas divisões a. O dia natural. Isto é, o período em que há luz; entre os judeus e romanos era dividido em 12 horas (Jo 11.9), isto nos dias do Novo Testamento. A Hora Primeira era às 6 da manhã; a Hora Sexta às 12 horas de hoje. (Algumas referências: Mt 20.6; Jo 4.6; At 10.3,9). A Terceira, a Sexta e a Nona Hora eram dedicadas a oração e adoração (At 3.1; 10.3,9). Antes da Hora Terceira, os judeus não comiam nem bebiam (At 2.15). Nos tempos do Antigo Testamento o dia era simplesmente dividido em 3 períodos: manhã, das 6 às 10; o calor do dia, das 10 às 14 horas, e o frescor do dia, das 14 às 18 horas. O dia civil era contado de um pôr-do-sol a outro (Lv 23.32). Entre os romanos, o dia ia de uma meia-noite a outra, isto é, o dia civil. João, em seu Evangelho, emprega o calendário romano; os demais evangelistas usam o judaico. João escreveu de Éfeso, que, sendo território romano, empregava o citado calendário. Por isso ele cita as horas de modo diferente. Por exemplo, Marcos, usando o calendário judaico, declara (Mc 15.33) que, estando Jesus na cruz, vieram trevas sobre a terra, na Hora Sexta (meio-dia). João, por sua vez, afirma que o julgamento de Jesus terminou na Hora Sexta, (Jo 19.14) o que é uma discrepância! Porém, no calendário romano, usado por João, a Hora Primeira do dia era à meia-noite, sendo 6 da manhã a Hora Sexta, a hora em que terminou o julgamento de Jesus: A noite, nos tempos do Antigo Testamento, estava dividida em três vigílias, de 4 horas cada uma. A primeira, das 6 às 10; a da meia-noite, das 10 às 2 da manhã; a da ma- nhã, das 2 às 6 da manhã (Êx 14.24; Jz 7.19; Lm 2.19). No NT, a noite tinha 4 vigílias de 3 horas cada uma, conforme o sistema dos romanos. A primeira chamava-se tarde e ia das 6 às 9; a segunda, meia-noite, das 9 às 12; a terceira, cantar do galo, das 12 às 3 da madrugada; a quarta, manhã, das 3 às 6 da manhã (Mc 6.48; 13.35; Lc 12.38). Nosso sistema sexagesimal (horas divididas em 60 minutos, e estes em 60 segundos) vem dos sumários. Não era seguido entre os israelitas. b.  A semana. Em hebraico o termo traduzido "semana" significa simplesmente sete, sem indicar dias ou anos. Nossa palavra semana vem do latim "septimana" que literalmente significa setenário, isto é, que contém sete. Os dias da semana entre os hebreus não tinham nomes e sim números, exceto o sexto que se chamava parasceue (Lc 23.54), e o sétimo que se chamava sábado (em heb. "shab-bath", cessação, descanso). c.  Os meses. Eram lunares, devido à observação das fases da lua. Tinham 29 a 30 dias, alternadamente. Antes do cativeiro babilônico, os meses eram designados por números, exceto o primeiro que se chamava Abibe (espiga de trigo). Após o retorno do exílio, passou a chamar-se Nisã, palavra assíria para princípio, abertura (Êx 12.2; 13.4). Após o cativeiro, todos os meses passaram a ter nomes de origem babilônica e cananéia.
Sendo o ano lunar, retrocedia em dias, causando desencontro das estações agrícolas, uma vez que estas são ocasionadas pelo ciclo solar. Para harmonizar isto, cada três anos intercalava-se um mês adicional chamado Veadar (isto é, segundo Adar), ficando esse ano com 13 meses. Isto forçou os israelitas a adotarem o ano do ciclo solar. d. Os anos. Tinham 12 meses de 29 e 30 dias, alternadamente, perfazendo 354 dias. Os judeus tinham dois diferentes anos: o sagrado e o civil. O sagrado iniciava-se no mês de Abibe, que corresponde ao fim de março ou princípio de abril, na lua cheia, após o equinócio da primavera. O ano civil iniciava-se no sétimo mês do ano sagrado (Tisri ou Etanim), correspondendo ao final de setembro ou princípio de outubro. O início do ano civil era comemorado com a Festa das Trombetas (Lv 23.24,25). Havia também o Ano Sabático cada 7 anos, para descanso do solo; e o Ano do Jubileu, cada 49 anos, para libertação humana em geral. Assim, Deus proveu o controle das riquezas e da escravidão.
O ano hebreu

 O ano hebreu era “solar”. Assim como a lua servia para determinar os meses, o sol determinava a duração e a sucessão dos anos. Não era como entre os antigos egípcios nem como o dos muçulmanos, que atrelavam o ano à determinação do curso das estações e da renovação dos trabalhos agrícolas. Com base em Êxodo 23.16, sabemos que as grandes festas dos judeus determinavam o princípio, o meio e o final do ano, que era lunissolar.

AS FESTAS DOS JUDEUS 

Páscoa: No dia 14 do primeiro mês, ABIB(Abril) para celebrar o êxodo do Egipto. Figura da morte e ressureição de Cristo. Lv.23.5; Mt. 26.17; Heb. 11:28.

Festa dos Asmos: No dia 15 do mesmo mês, festa da 7 dias. Lv.23.6-8; 1Cor.5.7-8; Figura de comunhão dos santos.

Festa das Primícias: no dia 17 do mês. Lv.23.9-14;1Cor.15.20-23; Figura da Ressurreição de Cristo.

Festa das semanas (ou Pentecostes):  50 dias depois das primícias, no mês SIVAN(Junho) Lv.23.15-21; At.2.1; Figura de descida do Espírito Santo. Intervalo de 4 meses sem festas  

Festa das Trombetas: 1.º dia do 7.º mês ETHANIM (outubro) Lv.23.24-25; Nm.10; 1-10;   Neem.8.2. Figura do despertar de Israel. 

O Dia da Expiação: No 10º dia do 7.º mês. Lv.23.26-32; (Lv.16). Figura de arrependimento futuro de Israel.  

Festa dos Tabernáculos: Do 15º até o 22º dia do 7.° mês. Agradecimento ao Senhor pela  colheita. Lv.23.34-44; Jo.7.2. Figura da glória do Milênio.

Festa da Dedicação:  No dia 25 do 9º mês CHISLEU (Dezembro) para comemorar a re-consagração do Templo depois de ser profanado pelos Sírios.

Festa de Purim: Nos dias 14 e 15 do 12º mês ADAR (Março) para celebrar a  libertação dos Judeus de Hamam. Est.9.17, 22-26.


ALGARISMOS BÍBLICOS 

Lista de certos números na Bíblia, e a significação deles:
1- Origem, unidade, autocracia, poder 
2- Comunhão, Testemunha, Dt.4.13; Mc.6-7 
3- Trindade; Ressurreição; plenitude 
4- do mundo; universalidade. 
5 Responsabilidade do homem, fraqueza 
6- O número do homem; imperfeição; confederação do mal o  número de Anti-Cristo é 666. 
7- Perfeição, repouso. 
8- Novo princípio, nova criação; nova ressurreição 
9- O número do Espírito, (nove aspectos do fruto do Espírito) 
10- Responsabilidade do homem para com o Senhor. 10 mandamentos; 10 talentos; 10 servos; 10 virgens; etc. 
12- Administração; governo Divino; 12 tribos; 12 apóstolos; etc. 
30- Apto para servir; José; David; O Senhor Jesus; os sacerdotes   de Israel etc. 
40- Provação; a chuva do dilúvio 40 dias; Israel no deserto 40  anos; Cristo tentado 40 dias,etc. 
50- Liberdade; Redenção; Poder no Espírito.



Obras consultadas

ANDRADE, Claudionor de. Geografia bíblica. 6a ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1998.

DOOLAN.   A. O pequeno Companheiro  da Bíblia. Livr. Esperança. PORTO. S/D

MILLARD, Alan. Descobertas dos tempos bíblicos. São Paulo: Vida, 1999.

MONEY, Netta Kemp de. Geografia bíblica. 10a ed. São Paulo: Vida, 1999.

TOGNINI, Enéas. Geografia da Terra Santa. São Paulo: Louvores do Coração, Vol. 1, 1987.


SILVA, Antônio Gilberto da. A Bíblia através dos séculos : uma introdução. Rio de Janeiro : Casa Publicadora das Assembléias de Deus, 1986.

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